(27/09/2015) – Mais de 40 profissionais de empresas do setor aeroespacial atenderam ao chamado da OSG Sulamericana para participar do Seminário Aero, realizado em Bragança Paulista (SP), nos dias 24 e 25 de setembro. A programação essencialmente técnica, com palestras realizadas pelo professor Alisson Rocha Machado, da Universidade Federal de Uberlândia, integra a nova estratégia da marca japonesa de maior aproximação com o setor aeroespacial.
De acordo com Yuji Konda, gerente Comercial da OSG Sulamericana, estudos da matriz da empresa definiram o setor aeroespacial como o de maior potencial de crescimento para os produtos da marca – ao mesmo tempo que a futura expansão do uso de motores elétricos deve reduzir as operações de rosqueamento no setor automotivo.
Para introduzir essa estratégia no mercado brasileiro, a filial criou o Seminário Aero, com uma proposta diferenciada. Nos dois dias do evento foram abordadas apenas as propriedades e características dos principais materiais utilizados no setor (titânio, inox, níquel e Inconel), sem foco comercial nas ferramentas da empresa. O objetivo foi o de levar conhecimento técnico aos participantes. Os novos produtos da empresa para essa área – as fresas UVX-Ti, para desbaste, e a HFC, para acabamento de titânio, e a fresa Aero, para alumínio – foram apresentadas num evento à parte, na noite do dia 24.
O professor Alisson Machado explica que procurou estruturar o seminário nos materiais utilizados na indústria aeroespacial que apresentam maior dificuldade de usinagem. “As maiores dificuldades de usinagem estão nas superligas, de titânio e níquel, e também nos inoxidáveis endurecidos por precipitação. Busquei apresentar os problemas, discutir e propor soluções”, observa.
Para tanto, baseou-se em pesquisas realizadas no passado – seu doutorado, apresentado em 1986, foi sobre usinagem de níquel e titânio em alta pressão – e também em pesquisas recentes, realizadas na universidade. O professor explica que para entender a usinagem desses materiais é preciso antes de tudo entender de usinagem, já que não existem teorias especificas da usinagem de titânio ou níquel. “Existe teoria de usinagem, sendo necessário adaptar ou adequar a esses materiais e estes irão responder de maneira diferente, de acordo com suas de suas propriedades de resistência, dureza, ductibilidade, manutenção da resistência à temperatura etc.”.
O seminário foi dividido em quatro partes: Usinagem de Titânio e suas Ligas; Usinagem de Aços Inoxidáveis PH; Usinagem de Níquel e suas Ligas. “Procurei dar um enfoque no estado da arte na usinagem desses materiais, sem focar ferramentas de A, B ou C. Apenas citando os materiais mais usados nas ferramentas, mostrando os problemas e o grupo de ferramentas que ataca essas dificuldades”.
Entre as mais recentes pesquisas da Universidade Federal de Uberlândia na área de superligas, Machado mostrou resultados obtidos com o uso de lubrificantes sólidos – grafite e molibdênio – misturados ao fluido de corte e aplicados pelo processo de MQL. “Estamos planejando também testar o uso de grafeno”, disse.