(20/09/2015) – Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, em palestra durante a abertura do 1º Congresso Brasileiro da Indústria de Máquinas e Equipamentos, na última quarta-feira (16), com críticas às altas taxas de juros e ao sistema tributário que qualificou de pró-importador. "É mais barato importar bens de capital do que produzir aqui no Brasil", afirmou.
Na avaliação de Pastoriza, essas práticas na área econômica foram as principais responsáveis pelo gigantesco processo de desindustrialização ocorrido nos últimos anos. "O processo de desindustrialização foi mascarado porque o País estava crescendo, enquanto nós [a indústria] estávamos demitindo. O processo foi mascarado pelo boom das commodities".
Além disso, esse mascaramento foi ampliado pelo fato de o processo não ter se dado da forma clássica, com o fechamento de fábricas. "A maior parte da nossa desindustrialização se deu de forma silenciosa, com as empresas deixando de ser produtoras para se tornarem montadoras”, explicou.
Nesse processo de conversão da indústria, de produtora para montadora, empregos de melhor qualificação desaparecem, assim como alguns elos da cadeia de fornecedores da indústria de bens de capital. "De três anos para cá, quando a água abaixou após a queda dos preços das commodities, é que muitos se deram conta de que um terço do parque industrial do Brasil havia desaparecido", lamentou.
Para o dirigente, no entanto, o Brasil tem potencial para crescer 5% ao ano de forma sustentável, desde que volte a investir e recuperar a sua indústria. No caso específico da indústria de máquinas e equipamentos, lembrou que o Brasil faz parte de um seleto grupo de países que contam com uma indústria de transformação forte e de um grupo ainda menor “de nações que tem uma indústria de bens de capital como a brasileira”.
"O Brasil produz e exporta bens de capital. No ano passado exportamos mais de 30% de nossa produção no valor de US$ 11 bilhões. A Anfavea exportou metade do que nós exportamos e emprega muito menos que nós", comparou Pastoriza. “No entanto, essa mesma indústria, que coloca o Brasil em um grupo seleto no mundo, sofre com uma elevada e "pornográfica" taxa de juros de mercado, um sistema tributário pró-importador”.
Criado para colocar em questão os rumos do segmento de bens de capital nacional, o 1º Congresso Brasileiro da Indústria de Máquinas e Equipamentos, foi realizado na sede da Abimaq, em São Paulo. O evento contou com palestras Jorge Gerdau Johannpeter; de Luciano Coutinho, presidente do BNDES; de Aldo Rebelo, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação; entre outros.
Fonte: Agência Estado/Abimaq