(16/08/2015) – As dificuldades gerais enfrentadas pela indústria brasileira, onde custos, carga tributária, condições e disponibilidade de mão-de-obra qualificada, novas e mais sofisticadas aplicações de manufatura, entre outras coisas, tem levada a indústria brasileira a olhar com mais atenção para as opções oferecidas pela robótica. Porém, o mercado brasileiro carece de integradores capacitados. Estima-se que existam no País não mais que meia centena de empresas “capazes de olhar o processo do cliente, enxergar as alternativas possíveis e sugerir as soluções mais adequadas”, observa Edouard Mekhalian, diretor-geral da Kuka Roboter do Brasil.
“Os integradores são o canal entre os fabricantes e o cliente final”, destaca o executivo. “São eles que têm a capacidade para atender o mercado regionalmente e disseminar o uso de robôs”. Como exemplo, Mekhalian cita os Estados Unidos onde existem cerca de 1.200 empresas integradoras especializadas em robótica. Lá o consumo de robôs está na casa dos 15 mil/ano contra os atuais 1200 robôs/ano do Brasil, levando-se em conta apenas a indústria de maneira geral, sem aqueles grandes e pontuais projetos automobilísticos.
No intuito de ampliar o número de integradores e capacitá-los, a Kuka tem promovido treinamentos e workshops. E a procura por esses eventos tem aumentado a cada edição. O primeiro deles, realizado em 2014, contou com cerca de 30 participantes. O segundo atraiu 55 pessoas e o mais recente, 70 pessoas. Os próximos eventos estão programados para setembro de 2015.
Em geral, os workshops são divididos em dois dias. No primeiro são apresentadas as soluções para a indústria metal-mecânica no que se refere ao trabalho com chapas. Já o segundo dia é dedicado às outras soluções, como manipulação, paletes, usinagem, corte etc.
MERCADO POTENCIAL – Mekhalian acredita que o mercado brasileiro tem grande potencial para o uso de robôs e a tendência é de crescimento. “Hoje no mundo fala-se bastante em Indústria 4.0, mas a verdade é que a indústria brasileira ainda nem chegou direito à 3.0”, observa.
O executivo lembra que há menos de uma década, no que se refere ao emprego da robótica, a China estava num nível semelhante ao brasileiro, consumindo cerca de 2 mil robôs/ano. Hoje, o mercado chinês consome anualmente 30 mil robôs, ou quase 15% da produção mundial e é hoje o maior mercado de robótica do mundo. Estimativas indicam que o mercado chinês deve crescer ainda cerca de 10% ao ano pelos próximos cinco anos.
O detalhe é que a China não ocupa o primeiro lugar entre os países que empregam o maior número de robôs na indústria. Este posto é ocupado pela Coreia do Sul, com 440 robôs a cada 10 mil trabalhadores na manufatura. Em seguida vem o Japão, com 370. Enquanto isso, o Brasil tem apenas 8 robôs para cada 10 mil trabalhadores na manufatura.
Os interessados em participar dos eventos podem encaminhar e-mail para [email protected] – a/c: Depto. Marketing.