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(20/07/2008) - O faturamento da indústria de moldes e matrizes brasileira poderá sofrer queda em 2008 em relação ao exercício passado. A previsão é de Nelson Gonçalves, que está deixando a presidência da CSFM - Câmara Setorial de Ferramentaria e Modelação da Abimaq, e que atua há mais de 30 anos nesse segmento industrial.
Segundo Gonçalves, o principal causador do mau desempenho do setor é o similar importado da China, que chega a custar menos da metade do nacional. "Embora mais barato, o produto chinês perde em qualidade e quem o utiliza aposta na sorte", observa. No seu entender, a saída para os fabricantes nacionais de moldes e matrizes é investir em modernização para combater a "concorrência predatória" dos moldes chineses e tentar praticar preços internacionais.
Gonçalves que também deixou o cargo que ocupava na empresa Moltec há cerca de um mês, passará a atuar agora como consultor de empresas. Seu lugar na associação será ocupado por Edson Miranda, da Miranda Industrial, fabricante de porta-moldes e acessórios, de Suzano (SP), que já ocupou a presidência da CSFM quatro anos atrás, quando o molde chinês custava em média 30% menos que o nacional. "E naquela época o dólar estava cotado a quase R$ 4", diz.
DÓLAR - A forte presença dos moldes chineses no mercado nacional é resultado também da valorização do real frente ao dólar. Para se ter uma idéia, as importações ligadas ao setor vêm crescendo seguidamente desde 2005, segundo levantamento da Abimaq, tendo saltado de US$ 136,4 milhões para US$ 224,2 milhões. No mesmo período, as exportações caíram de US$ 108,5 milhões para US$ 95 milhões. Com a manutenção da queda da moeda norte-americana nos últimos meses é de se supor que a balança comercial do setor apresente déficit ainda maiores em 2008.
A CSFM da Abimaq reúne 33 associadas, número que deve representar apenas 1% do total das ferramentarias e modelações brasileiras. Na verdade, não se tem levantamento preciso de quantas empresas o setor abriga no Brasil. Calcula-se um número entre 3 mil e 4 mil empresas, a grande maioria de pequeno porte, familiares. "Muitas delas têm quatro a cinco funcionários e o proprietário geralmente arregaça as mangas para também trabalhar na produção", informa Gonçalves.
Reportagem: Otávio Nunes