(04/05/2014) – A direção da Alstom promete definir nos próximos dias o destino de sua divisão de energia. A norte-americana GE e a alemã Siemens estão na disputa pelos ativos da companhia, a maior empregadora da França (18 mil funcionários). A primeira proposta de compra foi feita pela GE no valor de US$ 13 bilhões. A divulgação dessa proposta levou o governo francês a buscar alternativas à venda para a companhia norte-americana. O ministro da economia francês, Arnaud Montebourg, procurou a alemã Siemens para sondar seu interesse pela Alstom, já demonstrado uma década atrás.
Na proposta enviada pela Siemens, o grupo alemão oferece sua divisão de fabricação de trens em troca da unidade de energia e a possível formação de um grupo franco-alemão. Para o jornalista Gilles Lapouge, em sua coluna semanal no Estadão, a estratégia é consequência da mudança de mentalidade quanto ao papel da União Europeia (UE): “A França, que como muitos países europeus acredita cada vez menos na União Europeia no modelo de Bruxelas, acredita cada vez mais em associações de tecnologia, de finanças, de know-how, entre tais ou tais países europeus. Isto quer dizer que Paris gostaria de criar um poderoso grupo franco-alemão de energia, semelhante ao modelo do único sucesso da Europa, a fabricante de aviões Airbus”.
Apesar de ser uma empresa totalmente privada, o Estado é o principal cliente da Alstom e em 2004 injetou € 4.4 bilhões do Estado e de bancos para salvar a empresa. Em novembro, a empresa anunciou o corte de 1.300 postos de trabalho e a intenção de vender parte da sua unidade de transportes. No começo de abril de 2014 anunciou a venda da unidade sistemas auxiliares para turbinas a vapor para a empresa de investimentos Triton.
As mais recentes informações divulgadas sobre a negociação dão conta que o Conselho de Administração da Alstom tem preferência pela proposta da GE, mas pretende considerar a apinião do governo francês. “A Alstom estuda a proposta de aquisição de suas atividades de energia por parte da General Electric”, declarou a companhia francesa Alstom, acrescentando que seu conselho de administração reconheceu “por unanimidade os méritos estratégicos e industriais dessa oferta”. O conselho, porém, garantiu que não fechou as portas para outras propostas, destacando que a Siemens “terá um acesso equilibrado às informações para que (…) possa apresentar uma proposta firme”.
Um comitê de administradores independentes fará uma “análise exaustiva” da oferta até o final de maio, completou a nota.