São Paulo, 20 de Setembro de 2021

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    Qual postura empresas estão adotando em relação à vacinação?


    (12/09/2021) - O coronavírus trouxe uma série de desafios não só para a indústria metalmecânica, mas para todo o setor produtivo. A vacinação tem canalizado perspectivas de retomada econômica e do retorno à “normalidade”.

    O avanço do calendário vacinal, além de boas expectativas, trouxe à tona outras questões para a indústria e para o empresariado. “Como acompanhar a vacinação dos colaboradores?”, “Posso exigir que o colaborador se vacine?”, “Como lidar em casos de recusa à vacina?” são algumas delas.

    A edição de agosto da publicação Sindimaq em Ação, produzida pelo Sindicato Nacional da Indústria de Máquinas, trouxe como tema a obrigatoriedade ou não da vacinação. O assunto é bastante polêmico devido a questões legislativas e jurisprudentes. (Para ler a publicação na íntegra Clique Aqui).

    A orientação - no texto escrito por Camilla Toledo, gerente executiva jurídica trabalhista da Abimaq/Sindimaq - é de que as empresas incluam a vacinação em seus protocolos de saúde e segurança contra a Covid-19 e elaborem, junto à área de medicina do trabalho, um manual e conversem com os colaboradores sobre a eficácia, segurança e riscos da vacina.

    Dentro do ambiente de trabalho, a empresa é responsável por todos os colaboradores. Portanto, caso aconteça alguma recusa à vacina, mesmo depois de orientação, colocando em risco a saúde coletiva, a empresa pode optar pela demissão (com ou sem justa causa).

    A reportagem do Usinagem-Brasil conversou com algumas empresas do setor metalmecânico nas últimas semanas para entender melhor como esse tema vem sendo tratado na prática. Além de campanhas de conscientização organizadas por comitês criados para enfrentamento do coronavírus, existe um trabalho de acompanhamento da vacinação. Legalmente, as empresas podem solicitar a apresentação do comprovante de vacinação dos colaboradores, que têm seus dados mantidos em sigilo.

    Na fabricante de máquinas Romi, desde o início da pandemia foram adotados procedimentos para preservar a saúde dos funcionários, familiares e parceiros de negócios. “O acompanhamento da vacinação dos funcionários é feito mediante a apresentação do comprovante ao departamento médico. Além disso, atualizamos e divulgamos semanalmente o nosso vacinômetro”, explica Raquel Bernardeli, gerente de Recursos Humanos.

    A empresa realiza semanalmente campanhas internas de conscientização sobre os protocolos de higiene, comportamento e informações referentes à vacinação com o objetivo de incentivar todos os funcionários no enfrentamento aos desafios impostos pela pandemia. Para os colaboradores da planta de Santa Bárbara d’Oeste, onde está a maioria de seus funcionários, a Romi disponibiliza transporte gratuito até o local de vacinação.

    Na Siemens, existe o pedido para que, logo após a vacinação, o colaborador compartilhe voluntariamente as seguintes informações com a área médica: uma foto do comprovante de vacinação, data da 1ª dose, data de previsão da 2ª dose e o tipo de vacina que tomou.

    Os dados são armazenados no prontuário médico do respectivo funcionário e as informações pessoais são tratadas, com todas as medidas técnicas e administrativas de segurança, estritamente pela equipe médica da empresa. “Detalhes sobre a vacinação fornecidos pelos funcionários são compartilhados com a matriz da Siemens exclusivamente de forma anônima e estatística, nenhum dado individualizado é compartilhado”, diz Welton Deboni de Souza, gerente de EHS da empresa.

    A companhia tem feito campanhas educativas com o objetivo de desvendar mitos e combater a desinformação acerca dos imunizantes disponíveis no mercado. Isso vem sendo feito através de comunicados e campanhas internas, palestras apresentadas por médicos e profissionais da saúde, vídeos, perguntas e respostas, entre outros. “Nosso serviço médico está sempre à disposição para atender quaisquer dúvidas dos funcionários, presencialmente, por telefone ou e-mail, sobre esta e outras temáticas”, ressalta Souza. No caso de recusa à vacina, a empresa afirma que, quando todos tiverem sido imunizados, essas ocorrências serão avaliadas e discutidas internamente.

    Na Dormer Pramet foi criado um comitê de crise em janeiro de 2020, antes mesmo da pandemia chegar ao Brasil. Desde então, existe um trabalho contínuo da empresa, principalmente da área médica, que realiza atendimentos e monitora a saúde dos colaboradores e prestadores de serviço que fazem parte da comunidade interna da companhia. “Os nossos casos de Covid foram bastante isolados pelo fato do nosso monitoramento ter sido muito eficaz”, afirma Alexandra Freitas, managing director & production director of Americas na Dormer Pramet.

    A comunicação tem sido a principal ferramenta utilizada nas campanhas de incentivo à vacinação. Cerca de 98% dos colaboradores da planta (localizada em São Paulo) já tomaram a primeira dose da vacina. “Consideramos que atingimos com excelência o nosso objetivo através de uma boa comunicação, pois consideramos nossos colaboradores nossos bens mais preciosos. Nós não adotamos a obrigatoriedade, quando vacinado o colaborador escolhe enviar uma foto do comprovante para a área médica da empresa. Não existe nenhum interesse da organização em identificar pessoas, nós protegemos os dados e fazemos apenas uma contagem para monitoramento”, diz Freitas. A Dormer Pramet também inseriu um QR Code em seus quadros internos, criando mais um canal direto entre o colaborador e o RH da empresa.

    Na visão da Dormer Pramet, a vacinação também deve impulsionar a cadeia produtiva metalmecânica. “Tendo uma normalização, nós acreditamos que os volumes, principalmente relacionados ao mercado de exportação, terão um incremento importante. Os países que estiverem mais avançados em termos de vacinação vão sair na frente na retomada da economia”, aponta Renato Brandão, director of Sales South America. Em relação aos eventos do setor, Brandão conta que a Dormer Pramet realiza muitas ações junto aos seus parceiros comerciais, como visitas, apresentações e workshops, que em um primeiro momento deixaram de existir, mas que têm retormado conforme o avanço da vacinação. “Temos privilegiado esses tipos de ações, mas também entendemos outros eventos, como feiras, como uma alternativa de negócios”, conclui.

    Na importadora e distribuidora de máquinas Bener, que mantém um grupo de colaboradores para a montagem dos produtos, também não existe a obrigatoriedade de se vacinar. “Deixamos ao livre arbítrio dos funcionários”, diz Ricardo Lerner, diretor da empresa. Porém, a empresa estimula os colaboradores a se vacinar e os libera nos dias marcados para a vacinação. “Felizmente, tivemos pouquíssimos casos aqui e a maioria dos funcionários já se vacinaram”.

    A fabricante de ferramentas de corte OSG Sulamericana aponta que a troca de informações com a ABFA - Associação Brasileira da Indústria de Ferramentas foi muito importante para o entendimento das regulamentações que foram surgindo ao longo da pandemia. A empresa também formou um comitê, junto à área de segurança do trabalho, e criou protocolos que rapidamente foram colocados em prática para mitigar os impactos da covid-19 entre os colaboradores.

    Desde o início da pandemia, a OSG vem realizando diversas campanhas de conscientização ressaltando os cuidados que os colaboradores devem ter dentro e fora da empresa. Com o início da vacinação, a companhia solicitou que os colaboradores enviem seus comprovantes de vacina para o setor de segurança do trabalho.

    “A supervisão faz o monitoramento, via lista de funcionários, das faixas etárias e grupos que já podem receber a vacina. Caso não aconteça o envio do comprovante, uma foto pelo whatsapp, a supervisão entra em contato com o colaborador para deixá-lo ciente de que a vacina já está disponível. Tem funcionado dessa forma. Não existe obrigatoriedade, mas nós frisamos a importância da vacinação. Por enquanto, não temos casos de recusa da vacina”, informa Milton Saito, diretor vice-presidente da OSG.  (Reportagem de Sheila Moreira)