São Paulo, 02 de Agosto de 2021

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    Alta nas importações de aço pressiona siderúrgicas


    (11/07/2021) - Nesta segunda-feira, 12, a Abimaq promove reunião online de seus associados com o Grupo Maurano, um dos maiores importadores de inox do mercado brasileiro. Trata-se da quarta reunião que a entidade promove com siderúrgicas e tradings internacionais com o objetivo de buscar melhores preços que os praticados no mercado interno. Esta postura marca uma mudança na estratégia da entidade, que decidiu estimular seus associados a importar aço, após várias tentativas mal-sucedidas de buscar a diminuição dos preços via reuniões com siderúrgicas e distribuidoras locais.

    “O preço do aço no Brasil subiu em demasia”, afirma José Velloso, presidente-executivo da Abimaq. “Alguns tipos de aço no Brasil ficaram entre 30% e 40% superiores aos preços dos importados. Isto abriu espaço para a importação. Mesmo pagando impostos, tarifas alfandengárias, fretes etc., o importado ainda chega aqui entre 10% e 32% mais barato que o nacional, dependendo do tipo de produto”, destaca Velloso.

    Segundo Marcos Peres, superintendente de Mercado Interno da Abimaq, a importação de aços está em crescimento, tendo registrado recorde em maio. Este fato está pressionando as siderúrgicas. “Como resultado, alguns grandes consumidores já foram procurados por siderúrgicas que se mostraram abertas a negociações”, diz Peres. “Além disso, alguns aumentos previstos para junho e julho não foram implementados em sua totalidade”.

    Já foram realizadas reuniões com a Baosteel, maior fabricante de aços do mundo; com a Duferco, da Suíça, uma das principais tradings do mundo; e com a nacional Comexport. A cada uma dessas reuniões o número de associados participantes dos encontros tem crescido. Na primeira foram 160 associados da Abimaq; a mais recente, nesta segunda, 12, já contava com 300 inscritos.

    Acompanhamento de Preços - Peres conta que a Abimaq acompanha os preços de insumos estratégicos para o setor de máquinas e equipamentos, como é o caso do aço. Desde 2018, o Departamento de Mercado Interno faz um acompanhamento mensal, utilizando-se de várias fontes, como consultorias nacionais e internacionais, além de sondagens com os associados.

    A partir de julho do ano passado, alguns produtos tiveram aumentos superiores a 100%. E, apesar das tentativas de conciliação com siderúrgicas e distribuidores, os aumentos prosseguiram neste início de ano. Os principais tipos de aços usados pelos fabricantes de máquinas e equipamentos, como os laminados a frio e os laminados a quente, sofreram altas superiores a 50% apenas entre janeiro e junho de 2021.


    “Vamos promover mais aproximações com fornecedores internacionais. Em breve vamos trazer a Lico Steel, dos Estados Unidos. Isto é livre concorrência, com nossos associados buscando preços melhores. A boa prática empresarial é não depender de um único fornecedor”, informa Velloso, que avalia que a importação de aço dará um grande salto, chegando a um novo patamar. “Nosso movimento já está surtindo efeito e as siderúrgicas, obviamente, não estão satisfeitas com esta ação da Abimaq”.

    Construção - A Abimaq não está sozinha nesta campanha. A CBIC - Câmara Brasileira da Indústria da Construção divulgou na sexta-feira, 9 de julho, a chegada de 20 mil toneladas de aço importado. “Com os altos preços do insumo no mercado nacional, a ação teve o intuito de garantir o abastecimento do material com um custo mais competitivo para as empresas, que ficou cerca de 5% abaixo do mercado brasileiro”, informou a entidade.

    A importação é resultado de parceria realizada no final de 2020 entre a CBIC e a Cooperativa da Construção Civil do Estado de Santa Catarina (CooperconSC), que captou empresas interessadas em adquirir o aço importado. A iniciativa atraiu 137 empresas de oito estados brasileiros que se reuniram para trazer o navio completo com importação de aço da Turquia.

    “É preciso provocar um choque de oferta no setor, com estímulos à entrada do insumo importado no mercado brasileiro. Assim, é possível ampliar a oferta e reduzir preços e prazos de entrega”, destacou José Carlos Martins, presidente da CBIC.