São Paulo, 02 de Agosto de 2021

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    Falta de insumos freia retomada do setor automotivo


    (13/06/2021) - A falta de insumos, especialmente os semicondutores, está travando o processo de recuperação da indústria automotiva, segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea. De acordo com o dirigente, com a falta de semicondutores estima-se que a indústria automotiva global sofrerá uma perda de volume de produção entre 3,5% e 5% em 2021.

    “Esse problema, que deve se alongar até os primeiros meses de 2022, é o responsável pelas paralisações temporárias de parte de nossas fábricas, algumas por períodos curtos, outras por períodos mais longos”, disse Moraes, ressaltando que essa questão – embora afete vários segmentos industriais - atinge o setor automotivo em especial, já que um único veículo pode ter até 600 semicondutores em seus sistemas eletrônicos de motorização, câmbio, segurança, conforto, entretenimento etc.

    Moraes fez esses comentários ao apresentar os dados de balanço do setor em maio, divulgado em 8 de junho. O levantamento aponta o aumento de apenas 1% na produção de veículos em relação a abril. “Desde janeiro, o nivel de produção fica entre 190 e 200 mil, o que revela uma espécie de “teto técnico” provocado não pela falta de demanda, mas pela crise global de fornecimento de semicondutores”.

    Já as vendas em maio totalizaram 188,7 mil unidades, com alta de 7,7% sobre o mês anterior. Elevação maior ainda tiveram as exportações: 37 mil veículos foram embarcados, 9,1% a mais que em abril. No acumulado dos cinco primeiros meses, os licenciamentos de autoveículos chegaram a 891,7 mil (31,9% mais que no mesmo período de 2020) e as exportações a 166,6 mil (66,5% mais que no mesmo período de 2020).

    Política industrial e Semicondutores - Moraes lembrou ainda que a crise dos semicondutores, que têm sua produção quase toda concentrada na Ásia, é reveladora de um desafio que precisa ser enfrentado pelo Brasil como uma nação com visão de futuro. “Estados Unidos e países da Europa captaram o sinal de alerta e já estão desenvolvendo políticas industriais no sentido de produzir localmente esses componentes eletrônicos, que são a base de toda a revolução tecnológica do 5G, internet das coisas, automação e outras já em curso”, afirmou.

    “O setor automotivo e outras indústrias dependem cada vez mais desses insumos para dar um passo além em termos tecnológicos, atraindo para o país investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento, e na esteira disso gerando conhecimento técnico, acadêmico e empregos de altíssima qualidade. Já estamos atrasados, o que exige urgência e grande visão de futuro por parte dos nossos dirigentes”, conclui Moraes.