São Paulo, 24 de Junho de 2021

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    Mercado de reforma e retrofit cresce na pandemia


    (06/06/2021) - A reforma e o retrofitting de máquinas operatrizes têm se mostrado uma alternativa bastante viável para o setor de usinagem. Hoje, os principais obstáculos para a aquisição de novas máquinas são o câmbio, longos prazos de entrega (devido à falta de insumos) e o alto custo do frete.

    Esse cenário vem aquecendo este segmento, sobretudo no que se refere a máquinas especiais de médio e grande portes - retíficas, mandriladoras, geradoras de engrenagens, entre outras - que possuem alto valor agregado. Reformar ou modernizar máquinas para que operem com mais eficácia, portanto, tem sido a solução encontrada por muitas empresas.

    O Usinagem Brasil conversou com fabricantes de CNC - que atendem o segmento de retrofitting - e empresas reformadoras de máquinas-ferramenta para poder descrever a atual conjuntura do mercado.

    Fabricantes de CNC - João Simões, gerente de Vendas do segmento de Máquinas-Ferramenta da Siemens aponta que por conta do câmbio as máquinas tiveram seus preços elevados desde o início da pandemia, no caso das importadas. “Por isso, muitos usuários estão escolhendo fazer retrofit. São máquinas que possuem a parte mecânica muito boa, mas que precisam atualizar o comando numérico”, detalha.

    De acordo com ele, há um crescimento expressivo de retrofit no segmento de máquinas de alto valor agregado. “Por conta da falta de insumos, como aço e componentes, os fabricantes tiveram que estender o tempo de entrega. Então, o retrofit acaba sendo também uma opção mais rápida. O mercado está operando e as empresas precisam ter máquinas disponíveis”, afirma Simões.

    No caso das máquinas de menor valor agregado, Simões explica que, para o retrofit valer a pena, o CNC e o serviço precisam ter preços bastante competitivos em relação ao custo de uma nova máquina. O CNC modelo 808D, de entrada, atende esse nicho. Já o 840Dsl é apropriado para máquinas que demandam mais tecnologia.

    Hoje, o mercado de retrofit representa cerca de 15% das vendas de CNC da Siemens, já que os principais compradores são os fabricantes de máquinas operatrizes. No primeiro trimestre a empresa alcançou bons resultados e a perspectiva é de que feche o ano com crescimento de dois dígitos.

    Na Fagor Automation, o retrofitting responde por 65 a 70% dos negócios. Segundo a fabricante espanhola, desde junho de 2020, o mercado está em retomada e a empresa está otimista para este ano. “Existe bastante serviço no setor metalmecânico, mas ainda estamos sob os efeitos da pandemia, então também existe muita indecisão”, afirma Roberto Gimenes, diretor da empresa.

    No primeiro trimestre, a Fagor cresceu de 15% em relação ao ano passado. “A procura por retrofit aumentou principalmente nos últimos 45 dias”, conta Gimenes. O diretor destaca ainda a falta de máquinas novas (por conta da ausência de matéria-prima) e usadas no mercado, além dos altos preços provocados pelo câmbio entre os motivos do aumento pela busca de retrofitting. “Nós somos muito requisitados para retrofit, trabalhamos com produtos flexíveis e temos estoque para atender o mercado. Estamos apostando que o segundo semestre será mais forte. A nossa expectativa é crescer em torno de 40% em relação a 2020”, detalha o diretor.

    A linha de CNC da Fagor é composta por cinco modelos: 8037 T, 8055 T, 8060 T, 8065 T e 8070 T. No segundo semestre serão lançados o CNC 8058 e drives BCSD. O objetivo é que o modelo “entre forte” no segmento de máquinas quatro eixos. “Estamos alinhados com a nossa matriz e buscando, mesmo durante a pandemia, expandir o nosso market share”, pontua Gimenes.


    Reformadores - Em 2020, com a chegada da pandemia, as negociações do Grupo CNC foram paralisadas, mas os projetos que estavam em andamento tiveram continuidade. O ano de 2021 começou com outro ritmo, pois os setores de suprimentos das empresas voltaram a procurar serviços de assistência técnica. Entre os segmentos atendidos pelo grupo estão o siderúrgico e o ferroviário.

    O Grupo CNC é composto por duas empresas - CNC Service e a CNC Tecnologia -, focadas no atendimento à indústria de máquinas-ferramenta. A CNC Service é dedicada à retificação plana. Já a CNC Tecnologia é voltada para reformas pesadas: tornos, fresadoras, mandriladoras e retíficas estão no topo dos pedidos de reforma/retrofit. O nicho de retrofit e reforma corresponde a 65% dos negócios de todo o grupo.

    De acordo com o diretor industrial Lucas Perez, neste ano o grupo conseguiu alcançar o patamar pré-pandemia (2019) em termos de pedidos. “Muita gente querendo negociar ou estender contratos de manutenção. Também sentimos uma abertura maior nas reformas que estavam estagnadas. Hoje estamos com a carteira cheia e operando com capacidade máxima”, destaca. Outro importante indicador de que o mercado está aquecido é o serviço de terceirização das duas retíficas que possui para outras empresas que precisam usinar peças de grande porte. “As duas estão operando continuamente”, acrescenta.

    O diretor afirma que o setor de reforma e retrofit foi beneficiado pela alta do câmbio, pois muitas intenções de compra de máquinas foram convertidas em reforma. “Uma vantagem que a gente tem é que no Brasil existem bons projetos de parques industriais antigos, o que abre portas para a reforma ou retrofit de muitas máquinas. A conta que a gente faz é que o retrofit é viável até 60% do preço original da máquina”, diz Perez.

    60% de crescimento - Há 20 anos no mercado, a HR Máquinas é especializada em manutenção em loco, reforma e retrofit. Fábio Pereira, diretor comercial na empresa, conta que antes mesmo da pandemia já existia uma dificuldade em relação à demanda: “A gente veio de um período de dificuldade. Percebemos uma queda nos pedidos até por conta do crescimento da concorrência com prestadores de serviços autônomos, que são menos custosos”, comenta.

    Após a chegada da pandemia houve uma melhora na carteira de pedidos da HR Máquinas. Pereira aponta os mesmos motivos mencionados pelas outras empresas entrevistadas: alta do câmbio e dificuldade na aquisição de novas máquinas. Os pedidos de reforma voltaram a crescer, em torno de 60%. “Chegamos a contratar para poder atender os nossos clientes”. Os centros de usinagem estão no topo do ranking de reformas da empresa. O retrofit, segundo o diretor comercial, atualmente é pouco expressivo na carteira da HR Máquinas.

    No ano passado, por conta da pandemia, houve queda por volta de 40% no faturamento da empresa. Já o primeiro trimestre deste ano pode ser comparado, em termos de crescimento, ao mesmo período de 2019.

    Tendência - Para a WMW Brasil Serviços Industriais - herdeira operacional da Wotan Máquinas - as demandas de reformas e retrofit representam 70% dos negócios. “Com um cenário de incertezas no Brasil e créditos bastante limitados, é fácil percebermos que o mercado de equipamentos novos de médio e grande porte está retraído. Nesse sentido, a tendência é de que as empresas busquem recondicionar e reaproveitar seus equipamentos através de reformas e retrofit”, afirma Luis Sigot, COO da empresa.

    Atualmente, o maior nicho de negócios da WMW é a peritagem de equipamentos. A empresa valida e recomenda máquinas para os clientes, que as adquirem e as entregam para a WMW, que realiza as intervenções necessárias para deixar o equipamento com performance de novo.

    O fechamento do primeiro trimestre esteve 150% acima das expectativas, segundo o COO. O êxito se deve, principalmente, à nova planta inaugurada em janeiro, em Várzea Paulista (SP). A fábrica conta com uma área de aproximadamente 500 m² e capacidade de reformar/montar até seis equipamentos simultaneamente, dobrando a capacidade produtiva da WMW. A estrutura também permite a realização de procedimentos de montagem e aferições que até então eram feitos somente na extinta fábrica da Wotan, em Gravataí (RS).

    Os resultados alcançados com a nova fábrica nutrem a expectativa de fechar 2021 com crescimento três vezes maior frente ao ano de 2020. “Dobrou a capacidade de produção e os negócios tendem a aumentar, estamos até considerando uma expansão da planta recém-aberta porque conseguimos acertar o nicho de mercado”, finaliza Sigot.