São Paulo, 18 de Abril de 2021

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    Mulheres na Engenharia: Juliana Farah e o EELA para ELAS


    (07/03/2021) - Na semana em que se comemora o Dia da Mulher (8 de março), o Usinagem-Brasil procurou levantar dados sobre a presença feminina no setor metal-mecânico e na área de engenharia. Infelizmente, como em outros casos, também neste o país carece de estatísticas e as que existem são muito antigas.

    Informações do Ministério do Trabalho e Emprego informam que a proporção de postos de trabalho ocupados por mulheres no segmento metal-mecânico apresentou alta de 37,3% entre 1997 e 2016, enquanto a participação feminina na indústria em geral creesceu 14,3% no mesmo período. E esta é a pesquisa mais recente - aliás, o próprio ministério já não mais existe.

    Conforme dados apresentados no XLVII Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia (Cobenge), em 2019, a proporção de mulheres nas escolas de engenharia era inferior a 10% em 2017. Em 2013, segundo o CNPq, as cientistas representavam apenas 20% do total, e só 13% na área de Engenharia Mecânica.

    Algumas ações têm procurado ampliar a participação das mulheres na engenharia. É o caso da PUC- Campinas e a Sulzer, que criaram o projeto “Mulheres na Engenharia PUC-Campinas”, voltado às alunas ingressantes de 2021 nos cursos de Graduação de Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção, que oferecerá descontos de 50% nas mensalidades e estágio remunerado (após o terceiro ano) às quatro estudantes melhor classificadas num processo seletivo.

    Ao longo deste mês, vamos publicar algumas reportagens com histórias de mulheres que atuam em diferentes áreas da engenharia e do setor-mecânico, como na operação de máquinas CNC, manutenção, consultoria etc. Também vamos trazer iniciativas de empresas, que frente à necessidade de mudança, estão revisando suas políticas, com o intuito de criar mais oportunidades para mulheres, inclusive as posicionando em cargos de liderança. A primeira delas segue abaixo, com a engenheira mecânica Juliana Farah.

    Juliana Farah e o projeto EELA para ELAS

    Engenheira mecânica, Juliana Farah atua há 18 anos na área de manutenção industrial. Iniciou como estagiária técnica de mecânica, na empresa Ultrafértil. “Ao longo da minha carreira, atuei como técnica mecânica, trabalhei com análise de vibração na área de manutenção preditiva e viajei o Brasil todo a trabalho”, conta. Ela também é docente na Universidade Santa Cecília, no curso de pós-graduação em Engenharia da Confiabilidade.

    Em 2007, foi trabalhar na Manserv Montagem e Manutenção, onde ficou 12 anos. Entrou na empresa como técnica de manutenção e saiu como gerente de engenharia corporativa, chegando a liderar equipes de 600 pessoas em contratos de manutenção que envolviam diferentes frentes (elétrica, instrumentação, civil, caldeiraria, montagem, automação). Atualmente é gerente de manutenção e confiabilidade na Suzano.

    Juliana diz que ao longo de sua carreira vivenciou alguns episódios inusitados, como ser chamada para atendimento em campo e na hora ser questionada sobre a presença do técnico. “No começo era mais difícil, hoje não é tanto. Eu acredito que para as mulheres que estão chegando essa é a primeira barreira. Porém, muitas mulheres já conseguiram reverter essa situação. Então, hoje já temos um ambiente mais receptivo”, afirma.

    A engenheira aponta que existem muitos problemas logísticos e de infraestrutura para recebimento e acolhimento de mulheres. Ela conta que em agosto do ano passado foi acompanhar um balanceamento de campo, do qual o banheiro feminino mais próximo ficava a três quilômetros. “Era um galpão, em um lugar muito escuro, nem dava pra chamar de banheiro”, lembra. A gerente também cita os uniformes, nem sempre confortáveis para as mulheres.

    Segundo ela, o machismo é frequente no mercado de trabalho e posiciona as habilidades e o profissionalismo das mulheres abaixo dos homens. “É muito comum chamarem um homem para endossar a fala de uma mulher. O grande x da questão é que nós precisamos estar o tempo todo provando que sabemos algo”, ressalta.

    Atualmente, Juliana faz pós-graduação em gestão de negócios com foco em competências comportamentais exatamente para se especializar em confiabilidade humana (ativadores sociais, cognitivos, físicos etc.). “Como líder de equipe, eu preciso entender e explorar o perfil de cada membro”, detalha.

    Outra questão abordada pela engenheira é a dificuldade de contratação de mulheres, já que são poucas as que atuam na área. Juliana conta que uma época esteve buscando mulheres para duas vagas, mas dos 26 currículos recebidos apenas um era de mulher.

    A partir dessa demanda, a professora passou a postar conteúdos direcionados para mulheres no LinkedIN, formando uma rede de contatos que deu origem ao projeto EELa - Engenharia, Estratégia e Liderança, direcionado para o mundo corporativo. “Aí pensei: eu tenho o EELA e eu quero algo mais focado nas meninas. Então vou fazer o EELA para ELAS”, explica.

    Criado em janeiro deste ano, o grupo de whatsapp EELa para ELAS já conta com mais de 80 participantes e configura um espaço para trocas e inspirações, formando uma rede de apoio. “Eu tenho dois objetivos de vida: compartilhar conhecimento e inspirar pessoas. Eu tenho uma equação: conhecimento + atitude = resultado”, finaliza Juliana Farah.

    Siga o EELa para ELAS no Instagram: @eela.jufarah.