São Paulo, 18 de Abril de 2021

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    IABr projeta alta na produção de aço este ano

    (28/02/2021) - Em coletiva de imprensa realizada na última segunda-feira, 22/02, o Instituto Aço Brasil divulgou dados do setor referentes a 2020. No último ano, foram produzidas 31 milhões de toneladas de aço bruto, caracterizando uma queda de 4,9% em relação a 2019. Para 2021, as expectativas são mais animadoras: a entidade projeta produção de 33 milhões de toneladas de aço, um aumento de 6,7% frente ao ano passado.

    De acordo com Marco Polo, presidente-executivo da entidade, 2020 foi marcado por duas fases. Na primeira, houve uma crise de demanda provocada pela pandemia devido a fatores como isolamento social, queda das atividades econômicas, paralisação de unidades de produção, redução das vendas, cancelamento ou adiamento de projetos e investimentos.

    No período (primeiro semestre de 2020) foi registrada queda de 92% na produção de veículos automotores. No segmento de máquinas e equipamentos, a retração na produção foi de 38%, com paralisação de 47% das empresas do setor. Este cenário refletiu diretamente na produção de aço bruto, que caiu 29%. Também houve queda nas vendas internas e no consumo aparente, de 36% e 33%, respectivamente.

    A flexibilização das regras de isolamento social, a concessão de auxílio emergencial e a retomada das atividades dos setores de comércio e serviços permitiram o início da segunda fase do ano, de retomada, como comentou Marco Polo. Entre os meses de maio e dezembro de 2020, a produção de veículos automotores aumentou 1.308%. Já a manufatura de máquinas e equipamentos aumentou 91%.

    Puxada por esses índices, a produção de aço bruto cresceu 48% entre maio e dezembro do ano passado, ultrapassando o patamar pré-crise. No mesmo período, outros índices cresceram: vendas internas de laminados (82%), consumo aparente de produtos siderúrgicos (78%), ICIA (85,2 pontos, a maior da série histórica) e utilização da capacidade da indústria siderúrgica (67,3%).

    Ao se referir à instabilidade de 2020, Marco Polo afirmou que o ano foi uma gangorra. “Em abril prevíamos que a queda na produção de aço bruto seria de 19%, mas no final do ano foram registrados - 4,9% em relação a 2019”, disse. As vendas internas cresceram 2,4% (19,2 milhões de toneladas), assim como o consumo aparente, 1,2% (21,2 milhões de toneladas). As exportações, de 10,7 milhões de toneladas, ficaram 16,1% abaixo do total de exportações realizadas em 2019.

    Abastecimento e boom das commodities - Segundo Marco Polo, a retomada dos equipamentos - sinterizações, alto fornos, aciarias e laminações - paralisados no primeiro semestre colocaram o tema do abastecimento em pauta.

    “Durante o ano de 2020 fomos atacados por uma narrativa criada por segmentos de consumo que afirmavam que o setor siderúrgico retardou a retomada dos equipamentos e aumentou as exportações para enxugar a oferta e colocar preços mercado interno. Essa narrativa não é coerente com a forma de atuação do setor, que foi obrigado a reduzir os seus equipamentos a partir do momento em que atingiu o patamar mais baixo de utilização de toda a sua história”, ressaltou o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil.

    Segundo ele, assim que surgiram sinalizações de retomada do mercado interno, os equipamentos foram religados da maneira mais rápida possível. “Nós começamos a enxugar as exportações, contrariamente ao que os setores de consumo estavam alegando, e viemos aumentando mês a mês a produção e a entrega de aço no mercado interno. Eu faço questão de, através de números, confirmar que essa narrativa não tinha nenhuma base, era muito mais uma consideração especulativa”, pontuou.

    Sobre os preços das matérias-primas, Marco Polo disse que algumas situações levaram o mercado a um cenário “explosivo”, chamado de Boom das Commodities. O primeiro motivo apontado é que as commodities permaneceram muito tempo com um preço relativamente baixo, desestimulando investimentos maciços e novos projetos. Outra explicação é a de que a pandemia levou a “uma poupança forçada” de matéria-prima, que acompanha uma expectativa de crescimento, conforme a vacinação em massa acontece.

    Perspectivas para 2021 - Janeiro trouxe “marcas importantes” para o setor. A produção de aço bruto foi de 3.004 milhões de toneladas, com evolução de 10,8% em relação a janeiro de 2020. Essa é a maior produção desde 2019.

    O consumo aparente em janeiro foi de 2.211 milhões de toneladas, 25% superior ao mesmo mês do ano passado. Segundo o Instituto Aço Brasil, é o melhor percentual desde 2015. Já as vendas internas expandiram 24,9%, para 1,9 milhão de toneladas. “Tivemos em janeiro uma performance bastante positiva, atingindo recordes”, destacou. Outra importante marca em 2021 foi a utilização da capacidade instalada, que chegou a 70,1% no mês de fevereiro. O índice é o maior dos últimos cinco anos.

    Para 2021, além de um crescimento de 6,7% na produção de aço bruto, são esperados aumentos nas vendas internas (5,3% - 20,2 milhões de toneladas), nas exportações (9% - 11.713 milhões de toneladas), nas importações (9,8% - 2.225 milhões de toneladas) e no consumo aparente (5,8% - 22.448 milhões de toneladas).

    Segundo o Instituto, no geral, a indústria de transformação depende - em termos de perspectivas - de algumas necessidades: vacinação em massa, medidas de apoio aos desassistidos, ajuste fiscal, recuperação da competitividade sistêmica da indústria de transformação e redução do Custo Brasil.