São Paulo, 04 de Dezembro de 2020

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    Maioria das indústrias projeta crescimento em 2021


    (18/11/2020) - Sete em cada dez indústrias já retomaram ao mesmo nível de produção e de faturamento de fevereiro, antes da chegada da Covid-19 ao Brasil. Estes são alguns dos dados apurados por pesquisa encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e divulgada ontem no ENAI - Encontro Nacional da Indústria, evento online promovido pela entidade nos dias 17 e 18 de novembro.

    Outro dado da pesquisa está no título desta matéria: para 62% das indústrias as perspectivas são de aumento do faturamento em 2021 - 28% das entrevistas preveem estabilidade e apenas 9% esperam queda no volume de negócios. Ainda sobre o próximo exercício, 55% dos executivos industriais avaliam que haverá crescimento da economia brasileira como um todo, enquanto 12% dos entrevistados esperam retração e 29% acreditam em manutenção do patamar deste ano.

    A pesquisa também procurou levantar as estratégias adotadas pela indústria para conseguir atravessar a crise. Quando perguntados sobre quais as duas medidas mais importantes adotadas nos últimos seis meses para acelerar o crescimento do negócio, 40% apontaram a busca de novos fornecedores no Brasil; 39%, a aquisição de máquinas e equipamentos; 30%, a adoção de novas técnicas de gestão da produção; e 20%, o investimento em novos modelos de negócio.

    Os dados mostram que, em parte significativa das empresas, as ações adotadas surtiram efeito. Quase metade dos entrevistados afirma que hoje estão em situação melhor que antes da pandemia: 45% declaram que a produção atual é maior que a de fevereiro e 49% têm um faturamento superior ao registrado em fevereiro deste ano.

    Os que ainda estão com faturamento menor que no período pré-pandemia são 30% do total. Apesar de 87% das empresas terem sido afetadas pela pandemia, só 27% delas estão hoje com um nível de mão de obra inferior ao pré-pandemia.



    Com a retomada da produção e do faturamento, a maioria das empresas (52%) já registra, no mínimo, a mesma lucratividade de fevereiro – 28% com aumento e 24% com a manutenção das suas margens. Quase metade dos negócios (47%), no entanto, ainda operam com uma margem de lucro menor que antes do início da pandemia. A hipótese é que, mesmo com o aumento no faturamento, as indústrias têm sofrido com a alta das despesas com energia e insumos, por exemplo.

    COMPETITIVIDADE - Para a ampla maioria (92% dos entrevistados), o governo brasileiro deveria praticar políticas públicas para aumentar a competitividade da indústria nacional. O principal problema financeiro é majoritariamente o pagamento de impostos e tributos, citado por 78% dos executivos como um dos dois principais problemas.

    Em segundo lugar estão os salários e encargos sociais (48%). Quando perguntados sobre quais serão os dois setores com maior contribuição para a retomada econômica brasileira no pós-pandemia, 75% citam a indústria e 64%, o agronegócio.

    Metade dos empresários creditam mais ao governo a responsabilidade por aumentar a competitividade das empresas nacionais; 28% dizem que a responsabilidade é mais das empresas e 21%, que é de ambas as partes.

    A menos de dois meses de acabar o ano, 43% dos empresários industriais apostam em crescimento da receita em 2020, na comparação com 2019. Mas 37% projetam fechar o ano com receita menor e 19% acreditam que vão empatar com 2019.

    (*) A pesquisa, realizada pelo Instituto FSB Pesquisa, entrevistou, por telefone, entre 23 de outubro e 12 de novembro de 2020, executivos de 509 empresas industriais, compondo amostra proporcional em relação ao quantitativo total de empresas do setor em todos os estados brasileiros. Dentro de cada estado, a amostra foi controlada por porte das empresas (pequena, média e grande) e setor de atividade. A margem de erro no total da amostra é de 4,3 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.