São Paulo, 04 de Dezembro de 2020

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    Prazo de entrega, entrave na importação de máquinas

    (15/11/2020) - No mês de setembro, a produção industrial apresentou crescimento (2,6%) em relação a agosto. Isso significa mais máquinas em operação e maior demanda por insumos - muitos em falta no mercado, como já foi tratado aqui em outras matérias. Porém, a indústria já está enfrentando outro problema: o prazo de entrega de máquinas e equipamentos importados.

    De acordo com Paulo Castelo Branco, presidente executivo da Abimei - Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais, os negócios neste setor estão bem. “As vendas das indústrias que demandam importação de maquinário estão boas”, afirma. No entanto, ele destaca que muitos importadores estão deixando de vender porque não há máquinas para pronta-entrega e os prazos estão variando entre 120 e 150 dias.                

    Outro fator que sempre é preocupante para a indústria é a oscilação do dólar. Castelo Branco aponta que houve uma mudança de perfil no consumo de produtos acabados por conta do câmbio, altos preços do frete e baixa taxa de juros, o que facilita obtenção de crédito e financiamento. Esse cenário alavanca a importação ou até mesmo o retrofit de máquinas que estavam fora de operação. “A Abimei acredita o industrial brasileiro deve trazer tecnologia de fora, manufaturando os produtos no Brasil. A nossa visão de mercado é essa”, diz.

    Na sua avaliação, hoje a principal preocupação do mercado é o alto custo de obtenção de matéria-prima, sobretudo nos setores metalúrgico e de transformação do plástico. Em sua opinião, a falta de componentes causa uma defasagem que em algum momento terá de ser repassada para a ponta: “Uma hora isso vai travar. Ninguém consegue ficar pagando mais caro do que o preço previsto sem repassar para a ponta”.

    O presidente da Abimei acredita que os dois meses finais de 2020 não devem mudar o cenário econômico atual. “A grande preocupação são os primeiros três meses de 2021, quando não haverá mais a ajuda emergencial do Governo. Não sabemos se serão adotadas outras medidas visando manter o poder de aquisitivo da população. Além disso, são meses de demanda baixa”, pondera. Por esses motivos, a preocupação da indústria é preservar caixa pra esse período. “Eu creio que 2021 será um ano bom. Se os primeiros três meses forem bons, todo o restante será próspero economicamente”, conclui.