São Paulo, 04 de Dezembro de 2020

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    Anfavea aponta os desafios da indústria automotiva

    (11/11/2020) - A indústria automotiva entrou em 2020 com perspectiva de produzir 3,2 milhões de veículos. A chegada da pandemia ao País derrubou quase à metade as expectativas do setor: a produção deve fechar o ano com cerca de 2 milhões de unidades produzidas, de acordo com as mais recentes estimativas da Anfavea.

    Segundo a entidade, está havendo uma recuperação gradativa, mas que ocorre em um cenário de grandes desafios para a indústria automobilística. “Temos muitos desafios para atingir uma recuperação mais vigorosa, como os novos protocolos das fábricas, a dificuldade de planejar o médio e o longo prazos, a alta dos custos e, recentemente, a falta de alguns insumos”, destacou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, em coletiva de imprensa realizada na semana passada.


    Moraes enumerou cinco desafios que a indústria automotiva está enfrentando para atender a demanda. A lista é encabeçada pelos protocolos de saúde, considerado o principal desafio pelo setor. “A pandemia não acabou e manter os protocolos continua sendo um desafio. A área administrativa está em home office na maioria das empresas, mas nas fábricas a preocupação com a saúde continua sendo rigorosamente acompanhada. Apesar de estar melhorando por aqui os números ainda são muito fortes”, disse. “Nosso desafio é o de, sem alterar os cuidados necessários com a saúde, manter a produção num ritmo que atenda a demanda do mercado”. Segundo Moraes, algumas montadoras decidiram operar em dois turnos apenas para evitar aglomerações.

    Outro desafio está na dificuldade de se realizar o planejamento de médio e longo prazos. “Temos observado uma recuperação, mas a cadeia produtiva do setor é muito longa e é muito dificil fazer um planejamento com segurança, trazer material importado, programar os fornecedores... A dúvida é se essa recuperação entrará em 2021 na velocidade atual, se veio para ficar ou se trata-se de uma demanda reprimida do segundo e terceiro trimestres”, pontuou. “É um desafio. Todos estão atentos, falando com fornecedores, bancos, concessionários, clientes”. Para Moraes, da mesma forma que era impossivel prever o tamanho da queda no meio da pandemia, agora é muito difícil fazer previsões para se elaborar um planejamento de médio e longo prazos com certa precisão.

    FALTA DE INSUMOS - O terceiro desafio é a falta de insumos, em especial o aço. “Somos responsáveis por 30% do consumo de aço no mercado brasileiro”, frisa Moraes. “É uma preocupação nossa, sim. O pessoal de logística está acompanhando os fornecedores tier 1, tier 2, tentando ajudar para evitar paradas, como já tem acontecido, atrapalhando o planejamento e a produção normal”.

    Na sequência, segundo a entidade, está o aumento de custos de insumos que afeta toda a nossa cadeia. “O aço teve um aumento de 40% em 2020”, frisou Moraes. “Estamos num momento de negociação com as siderúrgicas, que deve ser dura, para eles e para nós, já que eles também sinalizam que têm impactos importantes em seus custos, por conta do aumento do minério de ferro, do carvão. Vai ser um debate, mas é necessário, pois tem como consequência um aumento de custos substancial no setor”.

    Outro desafio, este recorrente, e que tem sido apontado pela entidade desde o início do ano é a desvalorização cambial. “É a pior desvalorização de todos os países, de 43% desde o início do ano”, diz. “Parte por conta da situação econômica mundial e parte por problemas internos, dificuldades políticas”, destacou, lembrando que não se tem uma visão de como o governo pretende lidar com o endividamento público. “Num momento em que os negócios estão se recuperando, temos impactos de custos relevantes, risco de falta de insumos, dificuldade de fazer planejamento”, diz. “A nossa indústria já passou por situações parecidas, mas não desta dimensão”.

    HORAS EXTRAS, JORNADAS ADICIONAIS - Moraes ressalta que as empresas têm procurado responder a esses desafios com ações. O dirigente cita, por exemplo, as iniciativas de várias empresas de programar horas extras ou jornadas adicionais aos sábados, visando cobrir eventuais interrupções por falta de insumos e atender clientes e rede de concessionárias. “Implantar um 3º turno é uma decisão para a qual é preciso ter certeza que a demanda é permanente, que veio para ficar”, comentou.

    Outra ação é o monitoramento em tempo real da cadeia logistica e de suprimentos que vem sendo realizado pelas montadoras, visando mitigar os riscos de falta de insumos e suas consequências na diminuição da produção. “Queria destacar o trabalho muito forte que as equipes de logística e compras têm realizado, peça a peça, item a item, inclusive importados, para poder mitigar e atender da melhor forma possivel a demanda”.

    “São grandes desafios, mas a indústria automotiva brasileira é resiliente, continua tentando atender. Estamos voltando ao ritmo, mas ficam essas dúvidas, esses desafios”, concluiu.