São Paulo, 04 de Dezembro de 2020

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    Escassez de insumos afeta setor de máquinas agrícolas


    (18/10/2020) - As vendas de máquinas agrícolas em 2020 só não serão maiores devido à escassez de peças e insumos na indústria. A afirmação é de Luiz Felli, presidente da AGCO, um dos principais players do setor, segundo quem existe hoje uma clara defasagem entre oferta e demanda de máquinas, em entrevista ao Canal Rural. A projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) para o setor, em 2020, é de um crescimento nas vendas de 5%.

    “Em um primeiro momento houve uma escassez da China. Depois, o lockdown nos munícipios brasileiros e o fechamento de indústrias por 20 a 30 dias [no caso de máquinas agrícolas] e a falta de componentes importados da Europa, o que impactou a cadeia de suprimentos. Agora estamos vendo uma falta de matérias-primas básicas [no Brasil] e uma retomada da forte economia”, afirmou Felli. “Temos dificuldades em obter alguns desses materiais necessários para construção dos equipamentos. O aço no mercado de revenda e distribuição teve um aumento muito grande em relação a janeiro deste ano”.

    “Estamos observando um crescimento muito robusto nas vendas diretas ao agricultor, mas que não estão sendo acompanhadas pelas vendas no atacado, ou seja, para as concessionárias e revendedores”, afirma o executivo. “A pandemia impactou a importação de matérias-primas vindas da China, o que prejudicou a indústria brasileira de máquinas agrícolas, que tem mais de 55% de seus componentes importados”.

    De acordo com Felli, a venda de tratores diretamente para os agricultores cresceu, até agosto, 18% em relação ao ano passado, e a das colhedoras de grãos, 21%. Já a venda de tratores às concessionárias não cresceu até o final de setembro e a de colheitadeiras e colhedoras de grãos caiu 12% no mesmo período.

    “Isso demonstra que há uma demanda muito forte e uma oferta que não acompanha essa necessidade”, diz o presidente da AGCO. Para Felli, no entanto, essa defasagem não impedirá a entrega de máquinas agrícolas para a nova safra, e impactará somente a capacidade da indústria de produzir em volume maior do que o planejado. Segundo o executivo, esta situação só deverá se normalizar no início de 2021.

    FINANCIAMENTOS - Felli observa que o esgotamento das linhas de créditos oficiais, como o Pronaf, não tem sido um grande problema neste caso específico, já que alguns bancos privados tem oferecido linhas de crédito para o agro brasileiro.

    “As linhas de Finame estão sendo consumidas muito rapidamente, e nossa estimativa é de que até janeiro de 2021 essas linhas se esgotem”, diz. “Mas acreditamos que se os bancos privados conseguirem ofertar em linhas de 5 anos, sem uma grande diferença de taxas em relação ao Finame, isso pode trazer muitos benefícios para toda a cadeia produtiva”.