São Paulo, 22 de Outubro de 2020

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    Anfavea eleva projeções para caminhões e máquinas


    (11/10/2020) - A Anfavea divulgou na semana passada novas projeções para a indústria automotiva. Esta é a terceira projeção realizada no ano. A primeira foi em janeiro; a segunda em julho, influenciada pelo quadro da pandemia; e, agora, após o fechamento do balanço do terceiro trimestre, considerando o cenário macroeconômico atual e os bons números obtidos em setembro.

    Pelos novos números, as vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias devem registrar crescimento 5% no mercado interno, na comparação com 2019, contra a projeção anterior que era de estabilidade. O desempenho é melhor no caso das máquinas rodoviárias, com expectativa de aumento de 20% contra a projeção anterior de queda de 24%, impulsionadas pela construção civil e infraestrutura; no segmento de máquinas agrícolas a expectativa é de alta de 3%, ao invés dos 3% de queda projetados em julho.

    No caso da produção, a entidade não separou os números de agrícolas e rodoviárias. A nova estimativa é de queda de -4%; a anterior era de -8%. Espera-se a produção de 51 mil máquinas no total, contra a expectativa anterior de 48,6 mil unidades. Em janeiro, a entidade previa alta de 5,4%, para um total de 56 mil máquinas produzidas.

    Quanto às exportações as projeções agora são ainda mais negativas que as previsões de julho. Se antes se esperava uma queda de 29% nas vendas externas, agora o índice subiu para 31%. Assim, das 13 mil unidades projetadas em janeiro (com alta de 1% sobre o ano anterior), agora estima-se um total de 8,9 mil unidades.

    CAMINHÕES - As novas projeções no segmento de pesados (caminhões e ônibus) apontam para uma queda de 21% nas vendas e de 33% na produção. São números bem melhores que os estimados em julho, quando se previa queda de 39% nas vendas e de 42% na produção. A entidade projeta queda de 32% nas exportações; a anterior era de -43%. Vale notar aqui que mesmo em janeiro já havia uma expectativa de queda nas exportações em relação a 2019, de 22,7%.

    De acordo com as novas projeções, as vendas de caminhões e ônibus devem somar 97 mil unidades em 2020 (em 2019, as vendas somaram 122 mil). A produção deve totalizar 95 mil unidades, contra as 141 mil do ano passado.

    Marcos Saltini, vice-presidente da Anfavea, comenta que das 95 mil unidades previstas para serem comercializadas em 2020, 83,5 mil serão de caminhões (queda de 18% na comparação com 2019) e 13.500 de ônibus (queda de 36%). “O mercado de ônibus foi tremendamente afetado pela pandemia. O temor das pessoas de utilizar o transporte público, a redução de frotas para evitar a movimentação das pessoas... Boa parte das vendas efetuadas em setembro, por exemplo, são para o programa governamental Caminho da Escola, licitações feitas em anos anteriores e que estão sendo entregues agora”.

    Ainda de acordo com Saltini, no caso dos caminhões, o melhor desempenho - na comparação com ônibus - se deve aos negócios realizados para setores que surpreenderam durante a pandemia, caso do agronegócio e do e-commerce. “Entendemos que o ritmo dos últimos meses, de 7 a 8 mil unidades/mês, deve ser mantido até o final do ano”, observou.

    No total de veículos, a Anfavea prevê para 2020 queda de 31% nas vendas em relação a 2019, contra os 40% previstos em julho. Quanto à produção, o número total de veículos leves e pesados produzidos deve chegar a 1,915 milhão, 35% abaixo das 2,945 milhão produzidas em 2019.