São Paulo, 04 de Dezembro de 2020

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    Nuclep retrofita um dos maiores tornos verticais do mundo


    (13/09/2020) - Estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a Nuclep - Nuclebrás Equipamentos Pesados acaba de concluir o projeto de modernização de seu torno vertical de grande porte, considerado um dos maiores do mundo. Com mesa de 7.500 mm de diâmetro, a máquina suporta até 500 toneladas e é capaz de usinar peças com diâmetros até 16 mil mm e 10.500 mm de altura.

    O torno modelo 80DV, fabricado pela alemã Schiess Froriep, foi adquirido em 1982, dois anos após o inicio das atividades da Nuclep, criada para atender ao Programa Nuclear Brasileiro. Depois de mais de 30 anos em operação nas instalações da empresa em Itaguaí (RJ),  tendo sido utilizada inclusive  para a produção de peças para turbinas de hidrelétricas,  a máquina começou a apresentar defeitos que comprometiam a segurança das operações, como acionamentos e disparos sem o comando dos operadores. Por isso, desde julho de 2013, o torno estava fora de operação. A modernização foi iniciada, pela equipe da Nuclep, há aproximadamente dois anos.

    Com investimento de cerca de R$ 600 mil, a modernização envolveu a atualização do CNC (Z32, da D.Electron); reparos no motor elétrico Siemens 6.3 kW, responsável pelo movimento de inclinação “Swivel”; reparos no motor elétrico AEG, responsável pelo movimento de subida e descida da coluna; reparos nos motores do sistema hidráulico, além de ajustes na geometria da máquina e substituição dos encoders incrementais, conectores etc.

    “O fato de utilizarmos mão de obra da própria Nuclep na modernização reduziu muito os custos, que se resumiram a componentes eletrônicos e outros materiais. Temos um corpo de engenheiros muito bem qualificado e, por isso, não contratamos mão de obra de fora”, explica o contra-almirante da Marinha (RM1) Carlos Henrique Silva Seixas, presidente da Nuclep.

    Com a atualização do torno vertical, a companhia se sente pronta para absorver novas demandas. “Esse torno é fenomenal, ninguém tem igual! Pode furar, tornear e fresar peças de grande porte para diversos segmentos. Isso nos dá capacidade de atender outros mercados que necessitam de caldeiraria e usinagem de grande porte”, afirma Seixas. Entre os mercados em que a empresa pretende entrar estão os de óleo de gás (que operam com grandes plataformas), naval, defesa, energia e mineração.

    No momento, a Nuclep está trabalhando na construção do protótipo, em tamanho real, de um submarino nuclear que faz parte do Programa Nuclear da Marinha. “O protótipo é grande, com 10 m de diâmetro. Portanto, suas peças são enormes”, detalha. Após a conclusão de sua construção, o submarino será transportado para São Paulo, onde passará por testes de propulsão nuclear (em terra).

    ANGRA 3 - A empresa também está manufaturando peças para o terceiro condensador da Usina Angra 3. No mês de agosto, a Eletrobrás anunciou que mantém os planos de iniciar as obras de concretagem e montagem da usina em outubro de 2021. A expectativa é de que a Angra 3 entre em operação em 2026. “A modernização do torno vertical vai facilitar a construção das usinas nucleares previstas pelo Programa Nuclear Brasileiro”, aponta Seixas. Conforme o Plano Nacional de Energia 2050, o Governo Federal projeta a construção de até 10 GW em novas usinas nucleares nos próximos 30 anos. “Se isso realmente acontecer estamos capacitados para produzir as peças”, afirma.

    A modernização, segundo Seixas, traz flexibilidade e agilidade para atender diferentes demandas. “Acho importante mostrar que temos empresas brasileiras que podem concorrer com empresas de fora”, diz. Em sua opinião, faltam políticas de incentivo ao conteúdo nacional em grandes projetos: “Se fosse exigido um percentual de conteúdo nacional, as empresas brasileiras seriam beneficiadas. Não estou falando de 100% porque isso é monopólio, estou falando de criar oportunidades para empresas nacionais e gerar empregos. Nacionalizar parte de grandes obras é, de certa forma, proteger empresas e empregos, além de tornar a indústria nacional mais competitiva”, finaliza.