São Paulo, 04 de Dezembro de 2020

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    Apesar da crise, vendas da linha amarela crescem 30%


    (13/09/2020) - Ao contrário de muitos setores da economia, as atividades da área de infraestrutura não foram paralisadas durante a pandemia de coronavírus. O mesmo aconteceu com a construção civil, desde o início classificada entre as atividades essenciais em praticamente todo o País. Assim, os negócios com máquinas e equipamentos para construção e mineração, como tratores de esteira e retroescavadeiras, não foram paralisados, resultando num crescimento de mais de 30% nas vendas no primeiro semestre, em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Sobratema - Associação Brasileira de Tecnologia para a Construção e Mineração.

    Este desempenho, porém, não impediu a queda na produção do setor, até porque muitos fabricantes optaram por suspender as atividades produtivas por um período. Na comparação semestral, a produção ficou 23,6% abaixo da verificada em 2019. Um forte recuo nas exportações, de 41,8%, também ajuda a explicar a disparidade entre alta nas vendas e queda na produção no semestre.

    Na avaliação de Eurimílson Daniel, vice-presidente da Sobratema, o impacto no setor foi menor do que o esperado. Inicialmente, havia insegurança em relação às mudanças que a pandemia traria, mas, segundo o executivo, as atividades da construção civil serviram como uma locomotiva, impulsionando os negócios do setor. “As obras de infraestrutura, assim como a mineração, acontecem em geral foram dos grandes centros e não provocam aglomerações. Em algumas regiões, os primeiros casos de covid chegaram três ou quatro meses depois do início da pandemia. Ou seja, o impacto nas nossas atividades foi muito menor do que o esperado”.

    A saúde pública também se mostrou uma área muito importante neste período, já que as prefeituras não deixaram de realizar limpeza urbana, assim como desassoreamento de córregos e atividades em aterros sanitários. “Tudo isso envolve equipamentos e está ligado à saúde pública, que é um serviço de primeira necessidade. Então, isso também ajudou a movimentar o setor”, diz o vice-presidente da Sobratema.

    De acordo com Daniel, desde o início da pandemia, a demanda por máquinas e equipamentos para a construção civil foi crescendo gradualmente. Com a produção impactada pelas paralisações, fabricantes e concessionárias comercializaram seus estoques.“Hoje, os fabricantes não possuem máquinas para pronta entrega, não têm como manufaturar na velocidade que o mercado gostaria”, diz Daniel, acrescentando que já se formou uma fila de espera em várias concessionárias.

    Apesar de algumas dificuldades, como aumento de preços em função da alta do dólar e de dificuldades logísticas para a entrega de peças, o mercado se mantém aquecido. “Tivemos um aumento no preço das máquinas e mesmo assim os fabricantes estão com a sua capacidade de produção praticamente vendida. A gente espera que isso se normalize o mais rápido possível”, afirma o executivo.

    Para Daniel, o aquecimento do mercado se deve, também, à oportunidade surgida neste momento de renovar a frota e de investir em produção. “Com a Selic a 2%, a aquisição de máquinas e equipamentos se tornou mais atrativa, porque ficou muito mais rentável comprar para produzir do que deixar o dinheiro no banco. A necessidade de renovação da frota também contribuiu para esse cenário de busca por máquinas novas. E, para finalizar, temos a oferta de crédito. Os bancos dos fabricantes estão oferecendo crédito com taxas suportáveis pelo nosso segmento. Com a Selic a 2% os bancos estão oferecendo propostas interessantes para o investimento em máquinas e equipamentos”, detalha Daniel.

    Sobre a expectativa em relação a investimentos públicos, Daniel aponta que no setor “sempre existiu uma dependência até exagerada” dos anúncios governamentais. Para ele, o caminho que o governo escolheu, trazendo investimentos de fora e levando investidores para dentro do segmento de infraestrutura, foi a melhor escolha. “Porém, isso ainda não aconteceu na velocidade que nós gostaríamos. Nós tivemos uma bolha que foram os PACs. Quando acabou o dinheiro do governo, acabaram os investimentos. Isso não funciona”, argumenta. Daniel destaca que, independente do governo, existem outros setores que demandam por máquinas e equipamentos, como o agro e mineração. Óleo e gás aparece com um setor com grande potencial e que está em retomada.

    O vice-presidente da Sobratema afirma que a capacidade que a construção civil e a infraestrutura têm de movimentar a cadeia da economia é muito grande: “Claro que a gente olha a cereja do bolo: rodovias, portos, aeroportos etc. Esses projetos têm um impacto muito maior no desenvolvimento regional e na cadeia de manufatura de máquinas. O Brasil tem um cenário muito positivo pela frente, nós já estamos vivendo um bom momento, porém ainda longe dos bons níveis de investimentos em infraestrutura. Quando isso acontecer, nós vamos ter um ciclo positivo, uma roda do ganha-ganha que não vai parar mais”.

    LOCAÇÃO - Dentro da cadeia de máquinas e equipamentos para construção civil, outro setor está ganhando espaço: o de locação. Segundo Daniel, a nova cultura de compartilhamento, na qual as pessoas não querem mais ter, mas apenas usufruir, vem ganhando muitos adeptos no setor da construção. “Isso faz com que a área de locação alcance patamares interessantes. Atualmente, esse segmento já responde por cerca de 30% da produção industrial de máquinas e equipamentos para construção”.

    Em países como Estados Unidos, Canadá e Japão, a participação da locação de máquinas da Linha Amarela é ainda mais representativa, de 60%. “Em outros setores como plataformas, geradores e guindastes esse índice é ainda maior. Eu destacaria a locação como um setor que vem ocupando um espaço importante no mercado, dando acesso à mecanização e à produtividade”, argumenta Daniel.

    Os locadores, por sua vez, também estão na fila da compra de máquinas, e já não há máquinas disponíveis para locação, conforme Daniel. “O usuário final está feliz em utilizar serviços de locação porque ele não desembolsa capital e nem assume riscos. Ele fica com a melhor parte do negócio que é a produtividade. A locação traz flexibilidade para o usuário final, que precisa de diferentes máquinas em uma obra. E ainda há uma vantagem fiscal, já que a locação gera abatimento nos impostos”, diz. Atualmente no Brasil existem cerca de 3.500 empresas que locam equipamentos da linha amarela.