São Paulo, 13 de Agosto de 2020

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    Após demissões, funcionários da Renault entram em greve


    (26/07/2020) - Na última terça-feira, 21 de julho, a Renault confirmou a demissão de 747 funcionários da fábrica de São José dos Pinhais (PR). A decisão foi tomada após a não aceitação pelos funcionários ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) para reduzir o quadro de 7200 colaboradores da planta. O objetivo era de que 800 trabalhadores acatassem o plano.

    A proposta do PDV oferecia aos funcionários de 3 a 6 salários extras, dois meses de benefício da MP 936, plano médico por um ano, vale alimentação até dezembro e a primeira parcela da PLR. Antes do PDV, a Renault havia proposto a manutenção dos empregos do complexo, porém com redução salarial e de jornada em 25% por tempo indeterminado - proposta também não aceita pela maioria dos empregados.

    Na mesma data, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) convocou uma assembleia. Em votação, foi aprovada (por unanimidade) greve por tempo indeterminado, até que a multinacional decida negociar as demissões. O sindicato afirma que após a recusa do PDV pelos funcionários, a Renault tinha um prazo de 72 horas para voltar a negociar, o que não aconteceu.

    Fim do Terceiro Turno - Com os cortes, a Renault pretende fechar o terceiro turno de produção da unidade, que é dedicada à fabricação dos modelos Sandero, Logan, Duster, Oroch, Captur, Kwid e Master. A empresa alega que a redução no quadro de funcionários é necessária para reduzir os impactos da crise provocada pela pandemia de Covid-19, além de viabilizar o futuro do negócio. Ela também afirma estar alinhada com o projeto global de redução de custos anunciado pelo Grupo Renault em maio.

    Em nota, a empresa informou: “A Renault do Brasil informa que desde o início da pandemia, em março, aplicou soluções de flexibilidade como férias coletivas e a MP 936 (redução de jornada e salários) para o enfrentamento da crise da Covid-19. Com o agravamento da situação, queda das vendas [da marca] em 47% no primeiro semestre e a falta de perspectiva de retomada do mercado, a Renault buscou negociações com o sindicato e vem nos últimos 50 dias trazendo propostas para a necessária adequação da estrutura fabril. Após realizar todos os esforços possíveis e não havendo aprovação das medidas propostas, não restou outra alternativa que, em 21 de julho, anunciar o fechamento do terceiro turno e o desligamento de 747 colaboradores da produção do Complexo Ayrton Senna”

    Na quarta-feira, 22 de julho, a montadora decidiu dar licença remunerada para os trabalhadores, alegando readequação da planta para dois turnos de produção. Segundo Sérgio Butka, presidente do sindicato, uma reunião foi solicitada com o governador do Paraná para discutir as demissões, uma vez que a mesma lei estadual que concede incentivos à fábrica prevê a manutenção dos empregos dos funcionários. "Queremos deixar nosso repúdio pela forma que esta empresa está agindo mesmo recebendo incentivos fiscais do governo do estado para gerar e também manter empregos. Infelizmente não é o que a direção atual desta planta está pensando", disse Butka.

    Queda nas vendas globais - O Grupo Renault divulgou que a interrupção de suas atividades comerciais e industriais no mês de março, na maior parte dos países onde opera, resultou em queda de 34,9% em suas vendas.

    No continente americano, houve queda de 44,7% - a maior registrada pelo Grupo. No Brasil, a Renault vendeu 59,9 mil veículos no primeiro semestre, 47% menos do que no mesmo intervalo de 2019. A Europa foi a região que registrou a segunda maior queda, 42% na comparação do primeiro semestre.