São Paulo, 13 de Agosto de 2020

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    Marca FNM renasce, agora com caminhões elétricos


    (26/07/2020) - Um dos ícones da indústria automotiva brasileira, o Fenemê – apelido dado aos caminhões da extinta montadora FNM, ou Fábrica Nacional de Motores – deverá voltar à vida ainda este ano, desta vez no afluente segmento de caminhões elétricos.

    Os caminhões serão produzidos a partir de novembro em Caxias do Sul (RS) por uma FNM renovada até mesmo no nome. A sigla agora representará a Fábrica Nacional de Mobilidade, que tem no seu DNA duas empresas também icônicas da indústria nacional, as gaúchas Marcopolo e Agrale.

    A nova FNM é fruto de uma parceria entre os empresários José Antonio e Alberto Martins – filhos de José Antonio Fernandes Martins, que atuou como executivo da Marcopolo por mais de 50 anos e hoje é um dos acionistas da fabricante de carrocerias -, e a Agrale, que também fabrica caminhões e ônibus e em cujas instalações os novos caminhões serão montados.

    “A produção destes caminhões elétricos vai trazer um novo impulso de modernidade para o Rio Grande do Sul e engrossará o portfólio de Caxias no setor de transportes”, diz José Antonio. A cidade hoje abriga, além de fábricas da Marcopolo e da Agrale, unidades da Randon (implementos) e da Agritech Lavrale (tratores).

    A princípio, a empresa oferecerá dois modelos, o FNM 832 e o FNM 833. O primeiro terá peso bruto de 13 t e 6,2 m de comprimento. No FNM 833, o peso será de 18 t e o comprimento, de 7,2 m.

    O motor - elétrico - terá potência equivalente a 355 cv. A autonomia será de cerca de 130 km com as baterias cheias, o que atende a destinação dos caminhões, mais voltados a operações urbanas de curta distância.

    Para aumentar a resistência e reduzir o peso, os caminhões elétricos da FNM terão peças feitas de compósitos especiais e nióbio em partes do chassi, freios, suspensões, rodas e componentes estruturais.

    Embora boa parte dos componentes, como baterias, motor e sistemas eletrônicos, vá ser em um primeiro momento importada dos Estados Unidos, a montagem final vai ficar totalmente a cargo da FNM, que também oferecerá o RePower, ou o serviço de transformação de veículos com motor a diesel em elétricos.

    Visual retrô - Visualmente, os novos fenemês remeterão aos antigos de formato “cara chata” (sem cabine estendida). Mas esta será a única semelhança, além da sigla e do logotipo, também quase igual. Eles serão providos do que a mais moderna tecnologia de mobilidade pode ofertar, o que os situará na categoria de “caminhões inteligentes”.

    Estão previstas soluções como telas e sistemas conectados com os frotistas para o monitoramento do veículo em tempo real, câmeras e sistemas automáticos de controle para reduzir o risco de colisão e alertas de mudança involuntária de faixa de rolamento e de partida de veículos à frente.

    Outra novidade é que a FNM não terá concessionárias. A venda será feita diretamente pela empresa, por meio de pagamento antecipado. A assistência técnica será prestada pela fabricante que irá até o cliente.

    História - A FNM foi a primeira fábrica de veículos brasileiros. Sediada em Xerém, distrito de Duque de Caxias (RJ), a empresa surgiu em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, para produzir motores de avião.

    O fim da guerra forçou-a a mudar a atividade fim para a fabricação de peças para máquinas industriais e eletrodomésticos, além de geladeiras, compressores e bicicletas. Até finalmente focar-se nos caminhões em 1949, depois de um acordo de licenciamento com a Isotta Fraschini italiana, substituído por outro com a Alfa Romeo, também da Itália, que acabaria sendo posteriormente incorporada à Fiat.

    Em 1985, sob administração da Iveco, que também pertencia ao Grupo Fiat, a fábrica da FNM fecharia as portas. No local funciona atualmente uma unidade da Marcopolo, que por vias indiretas, deverá trazer a marca de volta às vias brasileiras.