São Paulo, 10 de Julho de 2020

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    43,6% das indústrias estão com operações paralisadas

    (21/06/2020) - Na última semana a Abimaq - Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos divulgou a segunda edição da sondagem “Impacto da Pandemia da Covid-19”, realizada entre 28 de abril e 15 de maio junto aos seus associados. O objetivo da pesquisa era reunir informações sobre status da carteira de pedidos, atividade produtiva e faturamento, além das relacionadas às fontes de recursos utilizadas para fazer frente à crise, impacto sobre a sua estrutura de mão de obra e ações para mitigar a crise.

    A pesquisa revelou que 43,6% das empresas estão com suas operações paralisadas. Os principais motivos, de acordo com a sondagem, são a interrupção por iniciativa própria (28,5%) e a suspensão das atividades em cumprimento a leis (15%). Das empresas que estão em atividade, 21, 8% estão operando normalmente e 34,7% estão atuando com apenas parte de sua estrutura produtiva.

    José Velloso, presidente executivo da Abimaq, aponta 33,8% das empresas tiveram as atividades normalizadas durante o mês de abril. A expectativa é de que, se mantido o cenário atual nos próximos 60 dias, 76,9% das empresas mantenham suas atividades e 14,3% aumentem suas operações. “Isso significa que 91,2% das empresas pretendem estar em atividade nos meses de maio e junho”, destaca Velloso.

    A falta (ou redução) de carteira de pedidos prejudicou 33,1% das empresas do setor de máquinas e equipamentos, aponta a sondagem. A retração da atividade industrial refletiu, também, na restrição de mão de obra (27,7%) e no desabastecimento de insumos e componentes utilizados em processos de manufatura (17,8%).

    “É necessário ficar atento a esses desequilíbrios de mercado, o setor de máquinas e equipamentos está presente nas cadeias mais essenciais do país. Na cadeia de alimentos, por exemplo, este segmento oferece as mais altas tecnologias de irrigação, plantio, colheita, armazenamento de grãos, processamento e embalagem de alimentos e bebidas. É preciso, portanto, garantir que todos os elos estejam rígidos para que o país não sofra com qualquer tipo de desabastecimento”, alerta Velloso.

    Outra consequência direta da retração/paralisação das atividades na indústria é a queda no faturamento. A pesquisa aponta que 60% das fabricantes de máquinas e equipamentos tiveram queda de 17,1% no faturamento referente ao mês de abril deste ano. Para os próximos meses, grande parte das empresas ainda espera decréscimo no faturamento em torno de 26% (na pesquisa anterior esse índice era de 40%).

    Segundo a Abimaq, a expectativa é de que em maio a retração seja de 7%. A entidade aponta o início da recuperação do setor a partir de junho, período em que as empresas projetam crescimento de 1,3%. Para o mês seguinte, julho, é esperado um crescimento de 5,1%. “Este cenário vem refletindo o adiamento e cancelamento de projetos de investimento, o que impactará no faturamento das empresas de máquinas e equipamentos ao longo deste ano”, analisa.

    Capital de giro e carteira de pedidos - A sondagem mostra que, entre os fabricantes de máquinas e equipamentos, 45,2% precisam de capital de giro para lidar com fornecedores, salários, bancos, governo etc. Apenas 15% usaram o capital de giro adquirido no mercado bancário durante o mês de abril (8% em março).

    25,4% das empresas apontam diferentes motivos que estão impedindo o acesso ao crédito. Entre eles: elevadas taxas de juros das linhas de financiamento (31,8%), excesso de exigência de garantias (26,1%), excesso de burocracia (18,2%) e exigência de CND (13,6%). “Destaca-se, no entanto, que durante o mês de maio, e, portanto, após a consulta realizada com as fabricantes, a questão relacionada à Certidão Negativa de Débito (CND) foi equacionada com a suspensão da exigência de CND previdenciária e de tributos federais, estaduais e municipais que ficará em vigor até o dia 30 de setembro de 2020”, esclarece Velloso.

    Conforme destacado pelo executivo, o capital de giro é a maior deficiência das indústrias: “A liquidez que foi oferecida pelo Tesouro ao sistema financeiro ainda está empoçada, o pouco recurso que fluiu ao setor produtivo vem a taxas que a indústria não tem condição de assumir”.

    A carteira de pedidos da indústria de máquinas e equipamentos sofreu recuo de 8% em abril (em março o registro foi de 5,5%). De acordo com a Abimaq, a carteira de pedidos de abril é suficiente para suprir a atividade por 8,2 semanas, ou pouco mais de dois meses. O adiamento de projetos por parte dos clientes representou, para 28% das empresas, uma redução de 17% em suas carteiras de pedidos. Cancelamentos foram apontados por 22,3% das empresas, com corte de 9,4% da carteira.

    “Nosso setor que atende às diversas atividades da economia, com isso os impactos da pandemia vêm ocorrendo de forma bastante irregular. Os segmentos que atendem à indústria de bens de consumo não duráveis estão com bom desempenho, assim como os que atendem à agropecuária, mas os que atuam com a indústria de transformação e especificamente com a indústria automobilística têm enfrentado uma desaceleração importante. Este quadro exige um olhar atento para todas as direções para que nenhuma atividade fique desassistida”, argumenta.

    Mão de obra - Em relação à conservação dos empregos durante o mês de maio, a maioria das empresas (55,9%) declarou estar disposta a manter suas atividades normalmente. 24,6% declararam que pretendem reduzir a jornada de trabalho, 10,6% conceder férias e 4% utilizar banco de horas.

    Apenas 2,5% das indústrias informaram a intenção de demitir durante o mês de maio e 2,4% de adotar lay-off. “É preciso atenção a este tema porque o quadro de contaminação tem se alterado rapidamente e forçado regiões e setores a revisarem emergencialmente suas estratégias de atuação”, frisa.

    O presidente da Abimaq reforça que esta é uma crise sem precedentes, mas que o emprego e a renda precisam ser preservados: “É necessário apoio financeiro mais intenso às indústrias nacionais para que elas possam preservar sua mão de obra e ficarem preparadas para voltar aos negócios o mais rápido possível quando a crise acabar”, conclui o executivo.