São Paulo, 29 de Maio de 2020

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    Consultoria prevê queda de 22% nas vendas globais de automóveis

    (17/05/2020) - Os impactos da pandemia do Covid-19 deverão responder por uma queda global da venda de veículos leves estimada em 22%, na comparação entre este ano e 2019. O cálculo foi feito pela consultoria LMC Automotive, segundo a qual a capacidade utilizada globalmente, que em 2019 esteve acima dos 60%, em 2020 vai ficar em torno de 47%.

    De acordo com a LMC, cujos dados foram divulgados no Brasil pela sua parceira local Carcon Automotive, em 2019 foram vendidos cerca de 90 milhões de automóveis no mundo. Por conta da pandemia, as vendas devem ficar na casa dos 70 milhões de unidades este ano.

    A consultoria acredita em uma volta gradativa das compras a partir do segundo semestre, resultando em um aumento de 16% nas vendas em 2021 diante de 2020, com a capacidade instalada sendo usada em nível pouco abaixo de 55%.

    Mas a LMC observa que há outros cenários possíveis, dependendo de como será o período após a fase aguda da pandemia. Para ela, os países que estão levando a sério as medidas de contenção vêm mostrando resultados melhores na retomada.

    A maior fatia da queda nas vendas em 2020 estará na Europa, com 28% do total. A América do Norte contribuirá com 20% e a China com 16%, cenário que deverá facilitar as consolidações entre empresas e racionalização da capacidade instalada.

    Os países em desenvolvimento também sofrerão impactos importantes, com uma redução média de 7% na América Latina - embora no Brasil a queda seja estimada pela LMC Consultoria em torno dos 38%.

    Brasil - Outro estudo recente, da consultoria Bright Consulting, avalia que os efeitos da pandemia no setor automobilístico brasileiro indicam que o mercado vai demorar três anos para retomar os níveis de vendas do ano passado, quando foram negociadas 2,6 milhões de unidades.

    A previsão de Paulo Cardamone, diretor da Bright Consulting, é de que, em 2020, as vendas não passem de 2,3 milhões, subindo para 2,5 milhões em 2021 e 2,7 milhões em 2022.

    “A retração deve acarretar uma redução de cerca de 10 mil empregos nas montadoras e de 20 mil posições nas autopeças”, alerta Cardamone. “Isso sem falar na rede de distribuição: estima-se que 30% das concessionárias não consigam se sustentar por mais de 30 dias inativos sem substancial ajuda das montadoras”.