São Paulo, 20 de Setembro de 2021

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    USP desenvolve técnica para tornar produção de plásticos mais sustentável


    (16/02/2020) - Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram técnica inédita, que possibilita a construção de moléculas de carbono de interesse industrial por meio do aproveitamento do bagaço da cana-de-açúcar.

    Essa obtenção em larga escala do carbono através de energia renovável visa à produção de cosméticos, plásticos, medicamentos e diversos outros produtos com menor custo e menos danos ambientais.

    O trabalho teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e foi coordenado por Antonio Burtoloso, do Instituto de Química da USP de São Carlos. Parte dos resultados foi divulgada na revista Green Chemistry.

    Burtoloso explica que, apesar de o petróleo também ser proveniente de uma fonte natural (fóssil), ele não é renovável. Já a cana-de-açúcar é plantada em abundância no Brasil e o bagaço tem enorme potencial de reaproveitamento.

    A tecnologia resultou em um composto que possui 10 átomos de carbono e apresenta potencial para ser usado principalmente na fabricação de plásticos.

    Isso foi possível graças à junção de duas moléculas da valerolactona - líquido incolor obtido a partir do bagaço da cana. Cada molécula da substância possui cinco átomos de carbono. O procedimento para a criação do carbono leva apenas um dia.

    De acordo com estudo divulgado em 2017 pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), o Brasil gerou 166 milhões de t de bagaço na safra 2015/16. Parte da produção acaba sendo descartada e é neste espaço que o grupo da USP pretende atuar.

    “Não precisamos plantar cana-de-açúcar exclusivamente para colher o bagaço. A ideia é aproveitar a parte do resíduo que acaba virando lixo como insumo para a nossa técnica”, diz Burtoloso.

    De acordo com o docente, a tecnologia desenvolvida na USP apresenta grande potencial de escalabilidade na indústria, hoje bem mais direcionada ao desenvolvimento de compostos sustentáveis do que em décadas passadas, até porque o mercado para produtos sustentáveis também vem crescendo.

    Vários países, inclusive, estipularam como meta para daqui a alguns anos a substituição de 20% a 30% do carbono proveniente do petróleo por fontes consideradas “verdes”.