São Paulo, 09 de Dezembro de 2019

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    Ceará atrai R$ 1 bilhão em investimentos industriais


    (27/11/2019) - Em 2019, o Ceará está se mostrando um importante polo de atração industrial. No primeiro semestre do ano, 20 indústrias anunciaram investimentos no estado, totalizando cerca de R$ 1 bilhão. Ao lado disso, a economia cearense está crescendo em níveis superiores à média nacional: no primeiro semestre, o aumento foi de 1,31%, em relação ao mesmo epríodo de 2018. No segundo trimestre, a alta foi ainda mais expressiva: 2,08%.

    Segundo a Sedet - Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará, entre os principais motivos do interesse pela região estão os incentivos fiscais; o grande potencial eólico e solar da região; a infraestrutura de energia, gás e recursos hídricos; e a localização estratégica.

    O Ceará é apontado como um importante hub logístico — devido aos portos de Pecém e Mucuripe, a sua malha rodoviária e à construção da ferrovia Transnordestina. Também é visto como um hub de TIC - Tecnologia da Informação e Comunicação, já que, de acordo com a Sedet, é o estado mais conectado à banda larga no Brasil. Além disso, conta com a única ZPE - Zona de Processamento de Exportação em operação no País.

    Além dos 20 projetos já aprovados pelo Cedin - Conselho Estadual do Desenvolvimento Econômico (*), existiam, até o final de outubro, outros 48 projetos em análise.

    Investimentos - Empresas de diversos setores da indústria anunciaram investimentos no Ceará. Em relação aos projetos aprovados em 2019, o volume de investimentos se concentrou nas regiões do Vale do Jaguaribe (74,9%) e da Grande Fortaleza (21,2%). Também há projetos no Litoral Leste, Sertão Central e Sertão de Sobral.

    Entre as empresas em processo de instalação de novas unidades ou ampliações no Estado estão: Votorantim, Ambev, Mallory, Diageo (bebidas destiladas); Vulcabrás (calçados); Avon; Natielli Calçados; Neorubber Calçados; Dikka Indústria Química; Fiveltec (início de produção no sistema prisional); e Dakota (calçados). O Usinagem-Brasil solicitou à Sedet a lista completa de empresas - assim como os valores investidos por cada uma delas -, mas fomos informados qie os dados são protegidos por sigilo fiscal.

    No primeiro semestre (maio), a Votorantim Cimentos anunciou que investiria R$ 200 milhões na ampliação de sua fábrica em Pecém, aumentando em 800 mil toneladas/ano a capacidade de moagem de cimento da unidade, que atualmente é de 200 mil toneladas/ano. Segundo a empresa, o projeto de expansão abrangerá mais modernos conceitos de eficiência energética e automação industrial, com a aquisição de novos equipamentos, de última geração.

    A Klabin anunciou a instalação de uma fábrica de chapas e caixas de papelão ondulado na cidade de Horizonte, a 35 km de Fortaleza. O investimento inicial é de R$ 48 milhões - o total pode chegar a R$ 500 milhões, segundo publicou o Diário do Nordeste. Um dos motivos que levaram a Klabin a investir na região é o destaque que a região Nordeste vem obtendo como exportadora de frutas. Atualmente, o Brasil está entre os cinco maiores produtores de frutas do mundo. Somente do Vale do São Francisco são exportadas 700 mil toneladas de frutas/ano. A fábrica será instalada em área de 1 milhão de m² e mais de 30 mil m² de área construída. A intenção é de que as operações sejam iniciadas ainda em 2019 ou no início do próximo ano.

    A West-Rock (antiga Rigesa), que também atua no segmento de embalagens, anunciou que irá ampliar a sua unidade da cidade de Pacajus. Com o novo investimento de R$ 10 milhões, a empresa já soma mais de R$ 100 milhões investidos no Estado nos últimos seis anos. Os novos recursos serão aplicados no aumento da capacidade produtiva e na qualidade das embalagens.

    Na área de metalurgia, a fabricante de tubos de aço Hydrostec Tubos e Equipamentos anunciou investimentos de cerca de R$ 10 milhões em sua fábrica localizada no Complexo Industrial e Portuário de Pecém. Além da ampliação da planta, a empresa pretende investir nas áreas de caldeiraria e usinagem de médio porte para produzir equipamentos e sistemas de irrigação para a indústria e para o setor de saneamento. As obras já estão em andamento e a previsão de conclusão é o primeiro semestre de 2020.

    Outra empresa do setor que vai investir na região é Bastos Juntas, fabricante de juntas automotivas. A companhia recebeu autorização do Governo do Ceará para a instalação de uma fábrica no município de Umirim (não tivemos acesso a mais informações sobre o investimento). Não será a primeira unidade da empresa no estado, já que ela possui sede em Fortaleza.

    A espanhola Jealsa, de La Coruña, dona da marca de pescados Robinson Crusoé, investirá cerca de R$ 100 milhões nos próximos anos para ampliar sua produção de conservas de sardinha e atum no Ceará, gerando 750 empregos diretos e milhares de empregos indiretos no setor da pesca.

    O estado também irá abrigar um Polo Industrial Químico, no município de Guaiúba, na região metropolitana de Fortaleza. Articulado pelo Sindicato das Indústrias Químicas, Farmacêuticas e de Refino de Petróleo no Ceará (Sindquímica), com o apoio do Governo do Estado e da prefeitura de Guaiuba, o Polo deverá abrigar 27 pequenas e médias empresas, cujos investimentos devem somar R$ 95 milhões.

    Economia - No segundo trimestre de 2019, o setor industrial foi o que mais cresceu no Ceará, 4,68%, em relação ao mesmo período do ano anterior. Dados do IPECE - Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará, indicam que o crescimento da indústria está relacionado, principalmente, ao bom resultado dos setores de transformação (+7,7%) e da construção civil.

    De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo IBGE no mês de setembro, a fabricação de produtos de metal apresentou crescimento de 217,1% (não inclui a fabricação de máquinas e equipamentos). Entre as maiores altas estão fabricação de outros produtos químicos (8,2%) e fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (6,3%).

    Segundo Guilherme Muchale, economista da Fiec - Federação das Indústrias do Estado do Ceará, no caso do setor de fabricação de produtos de metal, a explicação pela alta de mais de 200% é meramente estatística. "Esse segmento apresentou uma queda de mais de 50% em 2017, então a base de comparação do volume produzido era muito baixa. É um setor que enfrentou uma situação bem complicada durante a crise e que foi afetada pela greve dos caminhoneiros no ano passado", conclui.


    (*) O Cedin é o órgão responsável pela análise e aprovação dos incentivos fiscais referentes ao FDI- Fundo de Desenvolvimento Industrial por meio de programas de apoio ao desenvolvimento industrial, a empreendimentos estratégicos, à cadeia produtiva de geração de energias renováveis, à distribuição de mercadorias etc. O conselho também delibera os diferimentos para importação de insumos e matéria-prima, e importação de máquinas e equipamentos.


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