São Paulo, 19 de Julho de 2019

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    Indústria de máquinas agrícolas deve se manter em alta


    (07/07/2019) - Nos últimos três anos, a indústria brasileira de máquinas agrícolas cresceu em média 10% ao ano. “E tudo leva a crer que este ritmo deve se manter pelo menos nos próximos dois anos”, avalia João Carlos Marchesan, presidente da Abimaq.

    Na visão do executivo, a retração registrada no último mês de maio (e também em junho, segundo novos dados da Anfavea - veja os dados abaixo), ocorreu em função do esgotamento dos recursos para financiamento do Plano Safra 2018-2019, o que deixou o setor defasado em cerca de 60 dias.

    A partir desta semana já devem estar disponíveis os recursos novo Plano Safra 2019-2020, lançado em meados de junho, e os negócios tendem a se normalizar. Marchesan reafirma o seu otimismo: “O setor precisa de R$ 15 bilhões e o novo Plano prevê é R$ 8,9 bilhões (igual ao do ano anterior). Nós parabenizamos a ministra pela novo plano, mas já avisamos que até dezembro estaremos de volta ao Ministério da Agricultura solicitando novos recursos para financiamento”, observa.

    Segundo Marchesan, a paralisação dos financiamentos nos últimos dois meses, desde o Agrishow, já teria provocado um acumulo de pedidos num total de R$ 3 bilhões à espera de novos recursos. “A demanda deve ficar na faixa de R$ 1 bilhão por mês”, considera.

    Para justificar seu otimismo, Marchesan diz que vários indicadores apontam para a manutenção do crescimento do setor. “O agricultor está capitalizado, o dólar está num nível favorável às exportações e o preço das commodities (como soja, milho e trigo) está em alta”, cita.

    “Entendemos que o mercado está favorável e que o agricultor irá continuar investindo”, diz. Ele lembra ainda que cerca de 50% das máquinas agrícolas em operação no Brasil têm de 10 a 15 anos de uso e precisam ser renovadas. “Mesmo porque é inconcebível hoje olhar um trator ou colheitadeira da mesma forma como olhávamos cinco anos atrás. Hoje, hoje tem mais tecnologia embarcada, agricultura de precisao, IoT etc., que facilita a vida do agricultor, aumenta a produtividade e a acuracidade da produção”.

    Além disso, outros fatores também podem favorecer a produção nacional. Um exemplo é que, com a guerra comercial China x EUA, a multinacional AGCO decidiu que a demanda por colheitadeiras dos EUA, antes suprida por unidades chinesas, passará a ser atendida pela fábrica de Santa Rosa (RS), que produz modelos Massey Ferguson.






    (*) Pelos dados da Anfavea, divulgados na semana passada, o setor de máquinas agrícolas e de construção mostrou um cenário de estabilidade nas vendas para o mercado interno e queda de 7,9% na produção. Já as exportações fecharam o semestre com baixa de 2%. “Apesar desse recuo nacional, a Anfavea espera que o setor de máquinas feche o ano com alta de 10,9% nas vendas, 2,5% nas exportações e 0,5% na produção”.










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