São Paulo, 25 de Março de 2019

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    IPT inicia fabricação de próteses por impressão 3D


    (10/03/2019) - O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo) começou a produzir, através de impressão 3D, o primeiro lote experimental de próteses ortopédicas com ligas especiais nióbio-titânio e titânio-nióbio-zircônio.

    É a segunda fase de um projeto iniciado em 2017, com a produção dos pós a partir dos quais as próteses serão agora construídas. O investimento total será de R$ 8,2 milhões, o maior do país na área de produção de próteses metálicas por manufatura aditiva.

    Os pós das ligas serão utilizados para a fabricação de próteses de quadril - no caso deste projeto, as placas angulares do fêmur. O IPT espera que as novas ligas proporcionem peças não apenas de alta densidade relativa, mas principalmente com baixo módulo de elasticidade (rigidez do material).

    “É preciso que o módulo de elasticidade da prótese seja o mais similar possível ao do osso para que não aconteça o chamado ‘stress shielding’, ou seja, a descalcificação de áreas do entorno”, explica o engenheiro metalurgista e pesquisador Jhoan Sebastian Guzman Hernández. “A intenção é que a carga do corpo fique distribuída tanto no osso quanto na liga”.

    A liga nióbio-titânio faz parte da lista de novos materiais que estão sendo propostos atualmente para a construção de próteses - hoje, o uso dela é restrito praticamente à fabricação de supercondutores. Além desta liga apresentar baixa elasticidade, outra de suas vantagens está no fato dos dois materiais constituintes serem inertes, ou seja, não reagirem com o corpo humano.

    A liga mais empregada no mercado para uso em próteses é a formada de titânio-alumínio-vanádio. No entanto, a dois destes elementos - o alumínio e o vanádio - diversas pesquisas atribuem problemas de saúde, como doenças respiratórias, câncer e mal de Alzheimer.

    Após a fabricação das primeiras peças, o próximo passo será a avaliação dos corpos de prova para a escolha daqueles que apresentaram melhor desempenho e, a seguir, a confecção de uma série deles para serem submetidos aos ensaios mecânicos. Uma apresentação sobre os primeiros resultados do projeto já foi feita em outubro de 2018 em um congresso de medicina na cidade de Columbus, Estados Unidos.

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