São Paulo, 25 de Março de 2019

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    PF prende presidente da CNI por suspeita de corrupção

    (24/02/2019) - Foi preso quando desembarcava em Brasília, na última terça-feira, 19, o presidente da CNI - Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade. A prisão ocorreu no âmbito das investigações da Operação Fantoche, em que a Polícia Federal, em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU), tenta desvendar possível esquema de corrupção envolvendo o Sistema S. Andrade foi solto na noite da mesma terça-feira por ordem da Justiça Federal, após prestar esclarecimentos à PF.

    O esquema envolveria contratos de entidades do Sistema S - formado por 9 instituições, dentre elas o Senai, o Sesc e o Senac - com o Ministério do Turismo. De acordo com as investigações, um grupo de empresas, controlado por um mesmo núcleo familiar, teria desviado mais de R$ 400 milhões desde 2002, por meio de contratos voltados, em sua maioria, à execução de eventos culturais e de publicidade superfaturados, ou ainda de eventos que não eram totalmente executados.

    Segundo o delegado federal Renato Madsen, o esquema pode ter envolvido a criação de empresas de fachada. “Seriam empresas sem fins lucrativos, destinadas a dificultar possíveis investigações do TCU”, explicou.

    Além do presidente da CNI, também foram detidos os presidentes das federações das Indústrias de Alagoas , José Carlos Lyra de Andrade ; da Paraíba, Francisco de Assis Benevides Gadelha; e de Pernambuco, Ricardo Essinger. A Polícia Federal está cumprindo 10 mandados de prisão em diversos estados brasileiros e 40 mandados de busca e apreensão. Estão sendo investigados, conjuntamente, crimes contra a administração pública, fraudes licitatórias, associação criminosa e lavagem de ativos.

    Robson de Andrade é presidente da CNI desde 2010. Em eleição realizada em 2018, foi reeleito para o cargo por mais quatro anos. Tinha boas relações com a ex-presidente Dilma Rousseff, mas apoiou seu impeachment em 2016. No atual governo, vem cobrando mais espaço para a indústria.

    Por meio de nota, a CNI afirmou “não teve acesso à investigação e acredita que tudo será devidamente esclarecido”. A entidade colocou-se ainda à disposição “para oferecer todas as informações que forem solicitadas pelas autoridades”.


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