São Paulo, 16 de Fevereiro de 2019

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    Após negociar com trabalhadores, GM anuncia investimento


    (10/02/2019) - Cerca de 4 mil trabalhadores da fábrica da General Motors de São José dos Campos aprovaram, na última quinta-feira (7/2), a nova proposta da montadora. Após várias rodadas de negociações com o sindicato local, a GM desistiu de alguns itens da proposta inicial composta de 28 itens, reduzindo-os a apenas 10. Em contrapartida, de acordo com o sindicato, a montadora se comprometeu a investir R$ 5 bilhões e levar um novo projeto para a fábrica do interior paulista.

    “Na nova proposta, aprovada em assembleia, a GM desistiu, por exemplo, de aumentar a jornada de 40 para 44 horas semanais e adotar a terceirização irrestrita na fábrica”, informa nota do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. As 10 cláusulas incluídas no acordo, porém, flexibilizam direitos trabalhistas.

    O acordo aprovado inclui reajuste zero nos salários em 2019. Em 2020, haverá reposição de 60% da inflação. A reposição da inflação total só voltaria em 2021. De outro lado, em 2019, os trabalhadores terão abono salarial de R$ 2,5 mil e, em 2020, já com a reposição parcial da inflação, o abono cairá para R$ 1,5 mil. Em 2021, com a reposição total, deixa de haver abono. O piso salarial também foi reduzido de R$ 2,3 mil para R$ 1,6 mil.

    “O Sindicato é contra qualquer medida que penalize os trabalhadores, mas respeitamos a decisão da assembleia, que é soberana”, afirmou o vice-presidente do Sindicato, Renato Almeida. “Agora vamos nos manter firmes na cobrança para que a GM cumpra o acordo e traga o investimento de R$ 5 bilhões para a fábrica local. Também vamos lutar pela manutenção dos postos de trabalho e estabilidade no emprego”.

    A revista Época Negócios publicou que procurou a montadora para checar as informações, mas que “a GM não confirmou o valor do investimento que teria sido prometido aos funcionários (de São José dos Campos), e apenas comentou em comunicado que o acordo com os trabalhadores ‘é mais um passo para a concretização do plano de viabilidade da GM’ e que a empresa segue negociando com fornecedores, governo e outros interessados".

    No sábado anterior (2/2), a GM havia divulgado nota em que informava a intenção de investir R$ 10 bilhões no País entre 2020 e 2024, em complemento aos R$ 13 bilhões programados para o período 2014-2019. O novo investimento, porém, dependeria de algumas negociações. “A GM está negociando condições de viabilidade para o novo e adicional investimento de R$ 10 bilhões no período de 2020 a 2024”, informa o comunicado.

    No momento, a montadora segue negociando com os sindicatos do ABC (SP) e Gravataí (RS) onde também mantém fábricas de veículos e com os estados de São Paulo, ao qual pede antecipação de créditos acumulados no ICMS, e Rio Grande do Sul, ao qual solicita isenção no ICMS do frete interestadual e medidas que reduzam o custo de exportação a partir do Porto de Rio Grande.

    De acordo com nota do Sindicato de Gravataí, “os trabalhadores barraram a intenção da GM de impor uma pauta de restruturação. O objetivo da montadora era de não realizar o pagamento do PPR e do reajuste do salario e do piso da categoria” e que os trabalhadores rejeitaram as 21 medidas que serão discutidas ao longo do ano de 2019. “A fábrica de Gravataí já está com seu investimento garantido pelo acordo coletivo de 2017, que hoje é a nossa garantia para não perdermos os benefícios”, diz o sindicato.

    Já o sindicato do ABC paulista tem mantido contatos com sindicatos dos EUA e Canadá para debater a questão. A intenção é promover, em conjunto com entidades internacionais, uma ação sindical mundial, incluindo protestos em concessionárias, contra as ameaças da GM de fechamento de fábricas, demissões e redução dos direitos dos trabalhadores.


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