São Paulo, 25 de Março de 2019

    Opinião/Crônicas

    2019: O ano da virada!

    (*) Liliane Bortoluci

    (16/12/2018) - Embora abaixo do ritmo esperado, o crescimento do PIB no ano passado e neste comprovam que a economia brasileira estancou a sangria dos anos 2015 e 2016. Mais que isso, preparou o terreno para que 2019 represente o ano da virada e da consolidação de um novo e virtuoso ciclo.

    O Relatório Focus divulgado no apagar das luzes de novembro vislumbra um horizonte otimista. As 100 instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central mantiveram a expansão da economia em 2,50% para o próximo ano, reduziram a expectativa da inflação de 4,20% para 4,12% e a da taxa de juros Selic de 8,0% para 7,75%. Já o investimento estrangeiro direto no Brasil previsto para 2019 é de US$ 76 bilhões - ante US$ 75,35 do relatório divulgado no mês anterior.

    São números realistas, praticáveis, e que colocam o Brasil de volta ao jogo. E, ao contrário dos últimos dois anos, o ambiente político oferece condições mais favoráveis para que isso aconteça. A alta popularidade de governantes recém-eleitos, a escolha de um economista com viés liberal para o Ministério da Economia e a renovação na Câmara dos Deputados, bem como no Senado, criam as condições para que reformas fundamentais, como a Tributária e a da Previdência, sejam finalmente aprovadas.

    Esse conjunto de fatos tende a devolver a confiança a investidores e empresários, que se sentem mais seguros para ampliar seus parques fabris, aumentar a produção, contratar e capacitar capital humano.

    Sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que a confiança dos empresariado industrial em novembro é a mais alta em oito anos. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) alcançou 63,2 pontos, maior valor desde setembro de 2010, seis pontos acima do registrado em novembro de 2017 e nove pontos acima da média histórica.

    Essa confiança é reflexo da melhora efetiva da atividade industrial. Ainda segundo a CNI, o índice de evolução da produção passou de 47,2 pontos, em setembro, para 54,7 pontos em outubro. “Ao ultrapassar a linha divisória de 50 pontos, o índice, que mostrava queda da produção, passou a registrar crescimento. Esse aumento da produção entre setembro e outubro supera o observado no mesmo período de 2017”, diz a Sondagem Industrial da entidade.

    Do lado da indústria brasileira de máquinas e equipamentos, as notícias são igualmente animadoras. Segundo a Abimaq, o faturamento do setor de janeiro a outubro deste ano foi de R$ 65,1 bilhões, 7,7% superior ao mesmo período de 2017.

    Aliadas à recente recuperação, medidas anunciadas pelo poder público beneficiam diretamente uma das indústrias mais fortes do País, a automobilística, e, por consequência, a de bens de capital mecânicos. É o caso, por exemplo, do decreto que regulamenta o programa Rota 2030, que cria incentivos fiscais de até R$ 2,1 bilhões por ano para que as montadoras invistam em tecnologia e desenvolvimento de produtos. O programa ainda reduz em até 3% o IPI de carros Flex e até 2% o dos demais veículos, desde que cumprido o índice de eficiência dos automóveis fabricados.

    Estratégica para o desenvolvimento da indústria, a ferramentaria acaba de ver reconhecida uma antiga demanda para liberação dos créditos do ICMS das montadoras e autopeças do Estado de São Paulo. Os créditos para as empresas que exportam, antes retido pelo governo, voltam para serem investidos em ferramentaria, o que vai possibilitar a geração de empregos e o desenvolvimento de novos produtos.

    A indústria brasileira de máquinas e equipamentos tem todas as condições para atender a esta nova demanda, com tecnologia equivalente à oferecida pelos grandes players mundiais, preços competitivos, atendimento especializado e customização das soluções.

    Por tudo isso, não hesitamos em dizer que 2019 será o ano da virada para a indústria nacional. É neste contexto e com esta expectativa que vamos realizar as feiras Plástico Brasil (25 a 29 de março) e Expomafe (7 a 11 de maio). Todos nossos esforços estão no sentido de reunir nestes espaços, de um lado, os grandes fornecedores nacionais e internacionais, e, de outro, milhares de empresários industriais que querem - e precisam - investir, ampliar e modernizar em suas plantas. Destes encontros, sairão os negócios, parcerias e networking tão necessários para que o Brasil volte a crescer.

    (*) Liliane Bortoluci é diretora da Informa Exhibitions, promotora da Plástico Brasil - Feira Internacional do Plástico e da Borracha e da Expomafe - Feira Internacional de Máquinas-Ferramenta e Automação Industrial.


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