São Paulo, 19 de Outubro de 2018

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    Setor de máquinas agrícolas retomará crescimento?


    (11/02/2018) - Por um bom período ao longo dos últimos dois anos, a indústria de máquinas agrícolas era praticamente o único segmento industrial em crescimento no Brasil, servindo inclusive de apoio para muitos outros segmentos manter um nível de atividade aceitável. Porém, a partir de agosto do ano passado, os volumes de vendas e consequentemente os de produção começaram a baixar, com seguidas quedas até o final do ano, levando muitos dos fabricantes a reforçar os trabalhos na área de comércio exterior.

    Com o encerramento do mês de janeiro e o início da temporada de feiras agrícolas no País, cresce a expectativa das fabricantes e das entidades que as representam, além de seus fornecedores, de que o setor retome em 2018 o vigor e o ritmo de crescimento demonstrado em anos anteriores.

    A Abimaq, que reúne tanto fabricantes de máquinas quanto de implementos agrícolas, prevê alta de 5% este ano, número que pode ser revisto a partir do lançamento pelo governo federal do Plano Safra 2018/2019. Em 2017, a entidade previa crescimento de 15%, mas o número ficou pouco acima de 7%. “Tínhamos essa previsão e ela se manteve firme até agosto, mas não contávamos com a reação dos agricultores às taxas de juros do Moderfrota, que não atenderam às expectativas deles”, explicou João Carlos Marchesan, presidente da entidade. “Ao mesmo tempo, o dólar que até aquele momento estava num patamar satisfatório para agricultor deixou de ser com o declínio do preço das commodities lá fora. Com isso, adiaram os investimentos”.

    Já a Anfavea projeta para 2018 expansão nas vendas de 3,7%, de 11.,8% na produção e de 9,9% nas exportações. No ano passado, a entidade previa alta de 13% nas vendas. Porém, o exercício foi encerrado com apenas 1,5%. A produção, que tinha previsão de alta de 10,7%, foi de 1,8%. O mês de janeiro fechou com queda nas vendas de 56% na comparação com dezembro de 2017 e de 39% na comparação com janeiro de 2017 – a produção cresceu em ambos comparativos, 0,8% em relação a dezembro e de 19,3% em relação a janeiro de 2017.

    Para Alfredo Miguel Neto, vice-presidente para o segmento de máquinas agrícolas da Anfavea, o desempenho de janeiro não chegou a ser uma surpresa para o setor, devido a problemas na concessão de financiamento pelo BNDES - por mudanças de sistema - , e que foram equacionados em meados do mês passado. O executivo se mostrou otimista com as perspectivas do setor, admitindo inclusive que a Anfavea deve rever para cima o volume de produção estimado para 2018, hoje de 46 mil unidades.

    Durante o Show Rural Coopavel, realizado na semana passada, o vice-presidente da Anfavea voltou a abordar o tema, explicando que seu otimismo se deve, em parte, a alguns fatores conjunturais positivos relacionados aos produtores rurais. “Não tivemos nenhum grande problema com o clima no ano passado, apenas problemas pontuais. A colheita em Mato Grosso, por exemplo, está começando e já aponta para uma produtividade igual ou superior à do ano passado”, disse. “Temos tudo para um setor agrícola extremamente positivo neste ano. A nova safra e o apoio de crédito sustentam essa visão otimista”.

    Espaço para crescer existe. Basta comparar os números da Anfavea sobre a produção em anos anteriores. Em 2013, foram produzidas 102 mil unidades (máquinas agrícolas e rodoviárias); em 2014 o total foi de 83 mil. Em 2017, mesmo com alta sobre o ano anterior, o volume produzido chegou apenas a 55 mil.


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