São Paulo, 19 de Novembro de 2017

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    8 em cada 10 cargos não tiveram aumento salarial real

    (18/06/2017) - A instabilidade econômica afetou em cheio o bolso dos executivos. É o que revela recente o levantamento realizado pela empresa especializada em recrutamento Michael Page. De acordo com o Estudo de Remuneração 2017, oito em cada dez cargos analisados apresentaram remuneração estável ou em queda em relação ao mesmo estudo feito em 2015.

    “O cenário para o executivo de média e alta gerência é um pouco diferente daquele verificado há dois anos, quando os funcionários ainda conseguiam negociar melhores ganhos”, revela Ricardo Basaglia, diretor executivo da Michael Page. “Com a crise, as empresas foram afetadas e muita gente acabou perdendo emprego. Para se recolocar, estão tendo que negociar mais e, em muitos casos, com salários 10 a 20% inferiores à última ocupação. Quem ficou, não está conseguindo ter ganhos reais”.

    Além do tradicional mapeamento de salários, a Michael Page entrou em contato com mais de 3 mil profissionais de todo o Brasil para entender quais são suas reais impressões sobre o mercado atual. A empresa procurou entender como os profissionais enxergam sua carreira, a posição do empregador no seu desenvolvimento profissional e outros fatores que completam a remuneração.

    13 de 15 setores estão com remunerações estáveis ou em queda - De acordo com o Estudo, a maioria dos setores pesquisados apresentaram mais cargos com manutenção ou perda da média salarial quando comparado com o levantamento anterior.

    Também foi feita a análise dos cargos por setor para entender o percentual de profissões atingidas pela remuneração estável ou a queda: Supply Chain, Engenharia, Petróleo e Gás, Propriedade e Construção: 100%; Vendas, TI: 97%; Saúde: 92%; Marketing: 82%; Jurídico: 78%; Varejo: 73%; Seguros: 75%; RH: 64%; Financeiro: 57%;

    ENGENHARIA E MANUFATURAS – De acordo com a Michael Page, a área de engenharia é técnica e vem passando por diversas e importantes transformações. O mercado atual continua com uma carência de engenheiros especializados e com uma formação sólida para preencher posições no mercado de trabalho.

    Os profissionais, em melhoria contínua, que são sempre desafiados a otimizar processos e trazer retornos, acabam ganhando destaque no cenário de crise brasileira. Com isso, notamos que profissionais com conhecimento técnico, especialização e certificações acabam levando vantagem na hora de arrumar um emprego no mercado atual.

    “Ainda assim, com a formação analítica e ágil na linha de raciocínio, os engenheiros são requisitados para atender a posições relativas a vendas e planejamento estratégico, áreas que continuarão em alta para o ano que vem”, diz Ricardo Basaglia. Nessa área não foi registrado nenhum aumento na média salarial. Dos cargos que apresentaram queda, destaque para gerente de qualidade com atuação no setor químico e petroquímico em empresa de grande porte. Os vencimentos médios desse profissional recuaram 9%, saindo de R$ 17,5 mil em 2015 para R$ 16 mil neste ano.

    SUPPLY CHAIN – A empresa avaliou este o segmento para analisar o setor e as variações de salários de um ano para cá. O cenário de 2017 está semelhante ao dos últimos anos, apenas com pequenas mudanças nos cargos de média gerência, principalmente nas indústrias, por causa das reduções de posições.

    Este ano, as empresas não investiram em novos projetos, estão apenas finalizando aqueles que já iniciaram, afetando assim cargos de gerente de operações e de projetos.

    “No segmento automotivo e metalúrgico percebemos grandes desafios. A redução drástica nas vendas e na produção de veículos provocou uma grande mudança nas estratégias das empresas dessas áreas. Um dos grandes desafios é encontrar profissionais qualificados e especializados para atuar na divisão de Supply Chain. O momento atual está exigindo uma maior integração com o negócio para otimizar o cenário”, retrata Basaglia.

    Gerente de projetos e gerente de operações em companhias de pequeno e médio porte foram os cargos com maior redução média salarial no período, caindo de R$ 16,5 mil para R$ 13,5 mil.

    PETRÓLEO E GÁS - Nos últimos anos, o setor de Petróleo & Gás sofreu com a crise política e econômica. As empresas de extração de petróleo ainda passam por um período de incertezas no país. Os desestímulos dos investidores fizeram com que o mercado parasse e sofresse baixa desde o período inicial da crise. “Com isso, o quadro salarial não teve grandes mudanças, os salários se mantiveram e podemos ver uma queda mais relevante em cargos plenos”, resume o diretor.

    VENDAS - Os profissionais de vendas continuam sendo requisitados pelas empresas e 2017 promete não ser diferente. De qualquer maneira, o perfil deste profissional ganha a cada ano uma diferente faceta, principalmente pelo papel de termômetro estratégico que a área de vendas desenvolve em um período de instabilidade.

    “O pacote de salários em 2016 mostrou-se de maneira geral conservador para as áreas. O cenário não demonstra grandes retrações como em outras áreas de atuação. A área que acabou sofrendo mais foi a de bens de capital, pois os investimentos acabaram caindo”, explica Basaglia.

    O cargo que mais sofreu com a crise econômica em 2016 foi o engenheiro de vendas de logística e transporte em empresas de pequeno e médio porte. O salário médio passou de R$ 30 mil para R$ 27,5 mil. No caso do cargo de “trade lane manager” em empresas de grande porte, a remuneração média migrou de R$ 13 mil para R$ 15 mil.


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