São Paulo, 21 de Agosto de 2017

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    Pequenas indústrias são as mais afetadas pela crise


    (11/06/2017) - Responsáveis pela metade dos empregos na indústria, as pequenas empresas têm sido as mais afetadas pela crise. É o que aponta levantamento realizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), com base nos dados da pesquisa Sondagem Industrial entre os anos de 2014 - 2017. No período, a crise impactou mais fortemente as pequenas empresas: os indicadores de evolução da produção das pequenas estão sempre abaixo das grandes, mostrando quedas mais intensas.

    O estudo mostra que as indústrias de pequeno porte têm obtido indicadores piores que as de grande porte desde o início de 2015, quando o país entrou em recessão. Segundo a entidade, até aqueles que já esperavam um desempenho negativo das pequenas indústrias nos últimos anos, se surpreenderam com o resultado do levantamento. Nenhum dos sete indicadores da Sondagem Industrial da CNI mostra cenário positivo para a pequena indústria no período.

    Medida de 0 a 100 pontos, a Sondagem Industrial tem linha de corte de 50 pontos, que indica estabilidade. Com a intensificação da crise econômica, toda a indústria passou a registrar indicadores abaixo de 50 pontos, mas as pequenas empresas sempre ficaram atrás das grandes.

    No período analisado, os indicadores de produção e de número de empregados têm oscilado em torno de 40 pontos, contra 45 pontos das grandes indústrias. Em relação à expectativa de demanda, as pequenas empresas oscilaram em torno de 46 pontos. As indústrias de maior porte registraram 49 pontos, ainda pessimista, mas próximo da estabilidade.

    As disparidades são maiores nos indicadores que refletem as finanças das empresas. Nos últimos dois anos e meio, o indicador de situação financeira (avaliação do empresário sobre as finanças da companhia) tem variado em torno de 34 pontos para as pequenas indústrias, contra 43 para as grandes companhias. No acesso ao crédito, a pontuação tem oscilado em torno de 27,5 pontos para as menores empresas e 33,5 para as maiores.

    Em relação à utilização da capacidade instalada, o levantamento mostra maior ociosidade nas pequenas indústrias. A mediana para as empresas de menor porte corresponde a 58% de utilização do maquinário, contra 70% para as de maior porte. Em abril, as indústrias menores utilizavam 57% da capacidade instalada, contra 67% registrados nas indústrias de grande porte.

    “O fortalecimento da economia brasileira passa pelo estímulo à micro e pequena empresa. Vamos propor medidas concretas de defesa, reconhecimento e apoio à micro e pequena empresa. Lutamos, em síntese, por um ambiente melhor de negócios, com juros mais baixos; menos burocracia e mais eficácia; condições de competitividade que permitam o desenvolvimento das empresas e do Brasil”, diz o presidente do Conselho Temático da Micro e Pequena Empresa da CNI, Amaro Sales.

    Crédito difícil - Segundo a CNI, a melhoria do acesso ao crédito, a desburocratização e a melhoria do ambiente de negócios representam os principais caminhos para recuperar a atividade da indústria, principalmente das de menor porte. A entidade aponta, como principais dificuldades, taxas de juros elevadas e exigência de garantias reais – bens que podem ser tomados pelo banco em caso de calote.

    De acordo com a CNI, no ano passado, apenas 20% das pequenas empresas conseguiram contratar uma nova linha de crédito, 40% renovaram uma linha antiga e 40% das pequenas empresas não conseguiram contratar nem renovar crédito em 2016.

    A falta de crédito impede o acesso ao capital de giro, causa atraso no pagamento de fornecedores, perda de oportunidades de negócio, atraso no pagamento de tributos e necessidade de renegociação de prazos para pagamento de credores.

    Para ver a íntegra do estudo Clique Aqui


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